Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio antes de julgamento no TSE
Cláudio Castro (PL) anunciou oficialmente nesta segunda-feira (23) sua renúncia ao cargo de governador do Rio de Janeiro, em cerimônia realizada no Palácio Guanabara, sede do governo estadual. A decisão ocorre um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia levar à cassação de seu mandato e à declaração de inelegibilidade.
Despedida e anúncio de novos projetos
Durante o evento de encerramento do mandato, Castro enumerou o que classificou como feitos de sua gestão na segurança pública, mencionando operações policiais de grande porte, aquisição de viaturas blindadas e valorização dos policiais. O governador afirmou sair com a "cabeça completamente erguida" e anunciou seus planos políticos futuros.
"Como todos sabem, saio para ser pré-candidato ao Senado", declarou Castro. "Saio com a minha maior aprovação, saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado. Mas, acima de tudo, saio extremamente grato a Deus".
Contexto político e estratégia
A renúncia ocorre em meio à crise política provocada pelo processo na Justiça Eleitoral e abre caminho para a realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os 70 deputados estaduais escolherão um novo governador para cumprir o mandato-tampão até o fim de 2026.
O TSE já tem dois votos a zero para condenar Cláudio Castro por abuso de poder econômico e político no escândalo do Ceperj, com cinco ministros ainda faltando votar. A saída às vésperas do julgamento é vista como um termômetro do pessimismo de aliados, que já não acreditam na absolvição na corte eleitoral.
Consequências da renúncia
Com a saída de Cláudio Castro, o estado entra em situação de dupla vacância, já que o Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Quem assume interinamente o governo é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto.
O governador interino terá até 48 horas para convocar a eleição indireta que definirá o novo chefe do Executivo estadual. A votação deve ocorrer em até 30 dias após a vacância e definirá uma chapa com governador e vice para cumprir o mandato até o fim de 2026.
Preparação para a saída
Nos dias que antecederam a renúncia, Castro promoveu mudanças significativas no primeiro escalão do governo. Na última sexta-feira (20), o governador exonerou 11 secretários que pretendem disputar as eleições de outubro, incluindo nomes de áreas estratégicas da administração estadual, e escolheu os novos comandantes das polícias Militar e Civil.
Processo no TSE continua
Mesmo com a renúncia, o processo no Tribunal Superior Eleitoral continua, e a Justiça Eleitoral ainda pode declarar a inelegibilidade de Cláudio Castro. O julgamento foi iniciado em novembro do ano passado, e a análise será retomada nesta terça-feira (24).
O TSE julga recursos contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que havia absolvido Cláudio Castro e o vice, Thiago Pampolha, das acusações relacionadas às eleições de 2022. O Ministério Público Eleitoral aponta:
- Abuso de poder político e econômico
- Irregularidades em gastos de campanha
- Uso indevido da máquina pública
Futuro político de Castro
Apesar da renúncia, Cláudio Castro ainda pode disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A legislação eleitoral permite que candidatos concorram mesmo com processos em andamento na Justiça Eleitoral. No entanto, caso venha a ser condenado pelo TSE antes do registro da candidatura, o ex-governador pode se tornar inelegível por até oito anos.
A movimentação política no Rio de Janeiro deve intensificar-se nas próximas semanas, com a definição do novo governador através da eleição indireta na Alerj e o desenrolar do processo judicial que pode determinar o futuro político de Cláudio Castro.



