Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio para evitar cassação no TSE
Castro renuncia ao governo do Rio para evitar cassação no TSE

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), oficializou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, em uma cerimônia fechada para aliados realizada no Palácio Guanabara. A saída, que ainda será publicada no Diário Oficial, ocorre estrategicamente um dia antes da retomada do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do caso Ceperj, no qual o político enfrenta acusações de abuso de poder político e econômico.

Estratégia para evitar cassação e buscar inelegibilidade

Ao renunciar, Cláudio Castro busca evitar uma possível cassação de seu mandato, que traria desgaste significativo junto ao eleitorado. Com a medida, ele reduz o risco a uma condenação por inelegibilidade, mantendo abertas as portas para sua pré-candidatura ao Senado, anunciada simultaneamente à renúncia. Seu grupo político mantém a expectativa de que, mesmo condenado, Castro possa concorrer por meio de liminares judiciais.

Em sua fala de despedida, o governador afirmou: "Saio de cabeça erguida", destacando que deixa o Executivo estadual em seu momento de "maior popularidade". Castro buscou enumerar realizações em segurança pública, declarando: "Fizemos a maior operação do mundo" e "Saio com a minha maior aprovação". O anúncio à imprensa não permitiu perguntas dos jornalistas presentes.

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Transição de poder e eleição indireta na Alerj

Com a renúncia de Castro, inicia-se um complexo processo de transição no governo fluminense. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume interinamente o comando do estado e terá a responsabilidade de convocar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa (Alerj).

Os deputados estaduais terão um prazo de 30 dias para eleger um novo governador que completará o mandato até o final do ano. Esta decisão segue determinação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que alterou significativamente as regras do processo.

As principais mudanças determinadas pelo STF incluem:

  • Suspensão das regras de voto aberto anteriormente sancionadas por Castro
  • Eliminação do prazo de apenas 24 horas para desincompatibilização de candidatos
  • Estabelecimento de que concorrentes devem estar há seis meses fora de cargos públicos

Repercussões políticas e articulações nos bastidores

As novas regras impactam diretamente as articulações políticas no estado. Douglas Ruas, preferido do PL para suceder Castro e até sexta-feira anterior ocupando a pasta das Cidades, fica fora da corrida por não cumprir o requisito dos seis meses de desincompatibilização. Ruas agora é cotado para assumir a presidência da Alerj, vaga que se abre com o afastamento de Rodrigo Bacellar (União Brasil), também envolvido no escândalo do Ceperj e com julgamento marcado no TSE.

Cláudio Castro, em sua despedida, não deu indicações sobre qual candidato apoiará na eleição indireta. O campo da direita busca manter controle sobre a máquina estadual para enfrentar o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), nas eleições de outubro. Paes foi quem questionou no STF as regras eleitorais sancionadas por Castro.

Nos corredores da Alerj, as negociações estão intensas, com deputados articulando alianças e definindo estratégias para os próximos trinta dias decisivos. O jogo político no Rio de Janeiro entra em uma fase de reconfiguração completa, com implicações que podem definir o cenário eleitoral para os próximos anos.

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