Bolsonaro recebe pré-candidatos na Papudinha para definir alianças eleitorais de 2026
Bolsonaro recebe pré-candidatos na Papudinha para eleições 2026

Ex-presidente vira centro de articulação política na prisão

Desde que foi transferido para a Penitenciária da Papudinha, em 15 de janeiro, Jair Bolsonaro (PL) tem se tornado um polo de atração para políticos que buscam sua bênção eleitoral. Um levantamento detalhado realizado pela Folha de S.Paulo revela que o ex-presidente recebeu impressionantes 27 pedidos formais de visita, além dos encontros regulares com seus advogados de defesa e membros do núcleo familiar direto.

Fila de pré-candidatos aguarda audiência

Do total de solicitações, 17 correspondem a nomes que já se preparam para disputar as eleições municipais, estaduais e federais de 2026. Desse grupo, 12 são cotados para cargos de alto escalão, como governos estaduais ou vagas no Senado Federal, posições que o bolsonarismo trata com máxima prioridade estratégica.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ), que busca a reeleição para o Senado, foi um dos que já conseguiram se encontrar com Bolsonaro. "É fundamental ouvi-lo, pois ele é nosso maior líder da direita", declarou Portinho antes da visita, acrescentando que buscava fortalecer sua pré-candidatura e entender os planos estratégicos do ex-presidente.

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Panorama político em múltiplos estados

A movimentação política envolve pelo menos oito estados brasileiros, conforme apuração da reportagem:

  • Rio de Janeiro: Além de Portinho, o governador Cláudio Castro e o deputado federal Hélio Lopes, próximo do clã Bolsonaro, também buscam orientação
  • Rio Grande do Sul: O deputado federal Ubiratan Sanderson deve discutir sua candidatura ao Senado com Bolsonaro no próximo sábado
  • Goiás: O senador Wilder Morais, pré-candidato ao governo, já visitou o ex-presidente buscando apoio nominal
  • Minas Gerais: O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), cotado ao governo mineiro, deve ser recebido em breve

Outros estados com cenários sendo discutidos incluem Paraíba, Rondônia, Mato Grosso, São Paulo e Espírito Santo, demonstrando a abrangência nacional da influência política de Bolsonaro mesmo durante sua prisão.

Estratégias eleitorais em debate

As conversas na Papudinha têm revelado diferentes abordagens políticas. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu durante seu encontro com Bolsonaro o lançamento de uma candidatura de centro para o Senado, argumentando que é necessário equilibrar o apelo ao eleitorado bolsonarista com nomes moderados para não perder votos para a esquerda.

Já em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) prepara-se para discutir sua candidatura ao governo estadual em março, buscando reverter uma inclinação inicial do bolsonarismo em apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Controle judicial sobre as visitas

O ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação sobre a trama golpista no STF, mantém rigoroso controle sobre as visitas a Bolsonaro. Recentemente, concedeu duas horas de visita ao deputado Guilherme Derrite (PP) para a próxima quarta-feira, mas deixou sem resposta pedidos de outros políticos, incluindo o da deputada Julia Zanatta (PL-SC).

Dois pedidos foram explicitamente negados: o de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL que também é investigado, e o do senador Magno Malta (PL-ES), que tentou entrar na prisão sem autorização prévia.

Divergências internas no bolsonarismo

Paralelamente às articulações eleitorais, protestos marcados para 1º de março evidenciam atritos internos no movimento bolsonarista. Enquanto alguns grupos priorizam pedidos de impeachment de ministros do STF, outros focam na defesa de anistia aos presos do 8 de janeiro e na liberdade do ex-presidente, revelando divergências estratégicas sobre as prioridades do movimento.

Esta intensa movimentação política na Papudinha demonstra que, mesmo privado de liberdade, Jair Bolsonaro continua exercendo influência significativa sobre o cenário político brasileiro, moldando alianças e definindo estratégias para as eleições de 2026 em múltiplos estados da federação.

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