Acre enfrenta redução significativa de matrículas no ensino médio
Os números mais recentes do Censo Escolar de 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam uma preocupante diminuição nas matrículas do ensino médio no estado do Acre. Entre os anos de 2024 e 2025, o estado registrou uma perda de 2.813 alunos nesta etapa de ensino, com o total de inscrições caindo de 40.079 para 37.266.
Queda percentual entre as maiores do Brasil
Essa redução representa uma diminuição de 7,02% no número de matrículas, colocando o Acre na terceira posição entre os estados com as maiores quedas percentuais em todo o território nacional. O percentual acreano fica atrás apenas de São Paulo, que registrou uma redução de 13,60%, e de Roraima, com 7,06% de queda.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação e Cultura do Acre (SEE-AC) para obter esclarecimentos sobre os dados, mas ainda aguarda um posicionamento oficial da pasta. Apesar da queda absoluta no número de matrículas, os técnicos do Ministério da Educação destacam que o atendimento aos alunos em idade escolar está, na verdade, aumentando, com menos jovens fora da escola.
Impacto em Rio Branco e nas diferentes redes de ensino
Na capital acreana, Rio Branco, a situação se mostra particularmente crítica na rede pública de ensino, onde foram perdidas 12.951 matrículas. Já na rede federal, que combina o ensino médio com cursos técnicos, 605 alunos não realizaram a rematrícula. As escolas particulares também sentiram o impacto, registrando a perda de 1.106 matrículas na capital.
Cenário nacional e fatores explicativos
Em âmbito nacional, o período analisado pelo Censo Escolar revelou uma queda acentuada no número de matrículas do ensino médio, que despencou de 47,08 milhões para 46,01 milhões. De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, e com os técnicos do MEC, dois fatores principais contribuem para essa diminuição:
- Queda na população em idade escolar nos últimos quatro anos;
- Diminuição da repetência, com mais alunos sendo aprovados sucessivamente.
O balanço mostra que a maioria dos estados brasileiros experimentou reduções nas matrículas do ensino médio. As exceções foram o Amapá, que registrou um aumento de 0,84%, Pernambuco, com crescimento de 0,42%, e o Distrito Federal, que teve 0,53% a mais de matrículas em comparação com 2024.
Comparação com períodos anteriores
Em termos absolutos, a redução observada entre 2024 e 2025 foi ainda maior do que a registrada entre 2020 e 2021, durante o auge da pandemia de Covid-19. Naquele período, o fechamento prolongado das escolas e as crises sanitária e econômica levaram a uma queda de 600 mil matrículas em todas as etapas escolares, que incluem:
- Creche
- Pré-escola
- Ensino fundamental
- Ensino médio
- Curso técnico
- Curso de qualificação profissional
- Educação para Jovens e Adultos (EJA)
Os dados do Censo Escolar continuam a ser uma ferramenta essencial para entender as dinâmicas educacionais no Brasil, destacando desafios e oportunidades para políticas públicas no setor.



