Professores da rede municipal de Belém realizam protesto contra mudanças no Estatuto do Magistério
Nesta quarta-feira, 28 de agosto, professores da rede municipal de Belém tomaram as ruas da capital paraense em um protesto vigoroso contra a lei que instituiu o novo Regime Jurídico Único dos servidores e alterou significativamente o Estatuto do Magistério. A categoria, que está em greve desde o dia 19 de agosto, exige a revogação imediata da norma e a garantia de melhores condições de trabalho, com palavras de ordem e cartazes que expressam insatisfação com as mudanças aprovadas pela Câmara Municipal e sancionadas pela Prefeitura de Belém.
Impactos diretos no trabalho nas escolas
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Pará (Sintepp), as alterações têm efeitos profundos na educação infantil, incluindo redução no tempo de aula dos alunos e na carga horária dos profissionais. A nova lei também modificou a matriz curricular, consolidando disciplinas como artes, educação física e leitura sob a responsabilidade de um único professor, uma medida que, segundo os educadores, compromete a qualidade do ensino.
A professora de educação física Andrea Everton, com 30 anos de experiência na rede municipal, destacou que cada área de conhecimento exige formação específica, e a fusão de disciplinas pode prejudicar a aprendizagem de crianças e adolescentes. "Essas mudanças desconsideram a especialização necessária para um ensino de qualidade", afirmou ela durante o protesto.
Críticas à falta de consulta e progressão funcional
O Sintepp ressaltou que as alterações foram aprovadas sem qualquer consulta prévia à categoria, e as novas regras já estão em vigor, gerando descontentamento generalizado. Além disso, os professores reclamam de desrespeito à progressão funcional, um ponto crucial para a carreira docente que, segundo eles, foi negligenciado na nova legislação.
Na tarde desta quarta-feira, uma comissão de professores participou de uma reunião com a secretária municipal de Educação para discutir as reivindicações. No entanto, conforme relatado por Madalena Gonçalves, professora da educação infantil que esteve presente, não houve avanços significativos nas negociações, deixando a categoria ainda mais frustrada.
Aguardando posicionamento da Prefeitura
A reportagem solicitou um posicionamento oficial da Prefeitura de Belém sobre as reivindicações dos professores, mas até o momento não houve resposta. O protesto segue como um chamado urgente por diálogo e soluções que respeitem os direitos dos educadores e a qualidade da educação pública na capital paraense.