Fórum Santos 500+ debate futuro do trabalho e alerta para lacunas na formação profissional
Fórum Santos 500+ discute futuro do trabalho e qualificação

Fórum Santos 500+ debate futuro do trabalho e alerta para lacunas na formação profissional

O terceiro encontro do Fórum Santos 500+, realizado nesta segunda-feira (23) no auditório do Grupo Tribuna, colocou em pauta o Futuro do Trabalho com a presença de renomados especialistas. O evento focou na preparação de jovens e trabalhadores para as novas demandas do mercado, reunindo profissionais das áreas de educação, inovação, setor produtivo e gestão pública. O diagnóstico foi unânime entre os participantes: o Brasil ainda enfrenta dificuldades significativas para alinhar a formação profissional às exigências atuais, com riscos concretos de aumento das desigualdades sociais e econômicas.

Distância histórica entre ensino e prática

Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, destacou entraves históricos do país, como a baixa competitividade e a dificuldade de transformar conhecimento teórico em aplicação prática. "Não adianta falar de inteligência artificial se não tivermos conhecimento de base e formação adequada", afirmou ele. Segundo Tadeu, o principal problema não está na tecnologia em si, mas na falta de qualificação da mão de obra, que impacta diretamente a inovação, a produtividade e o crescimento econômico nacional.

Felipe Chiarello, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressaltou a necessidade urgente de um ensino mais conectado à realidade do mercado. "Se o estudante não entender que aquilo faz sentido, ele não vai vivenciar a universidade", disse. Para ele, além do conteúdo técnico, habilidades humanas também ganham protagonismo no cenário atual. "A gente quer conviver com gente boa, que tem um coração bom. Isso também é uma habilidade essencial", completou Chiarello.

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Formação e novas competências em debate

Lúcia Teixeira, presidente do Semesp e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), destacou que o desafio vai muito além da formação acadêmica tradicional. "No Brasil, apenas 20% dos jovens de 18 a 24 anos chegam à universidade", afirmou, ressaltando a necessidade de atualização constante ao longo da carreira profissional. Ela também apontou que competências como comunicação eficaz, trabalho em equipe e resolução criativa de problemas serão cada vez mais valorizadas pelas empresas.

Eduardo Bittencourt, presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, reforçou a dificuldade de conexão entre universidades e mercado. "Se a gente não tiver esse papel de articulação, o conhecimento se perde no caminho", disse ele, enfatizando a importância de parcerias estratégicas entre instituições de ensino e o setor produtivo.

Setor produtivo alerta para descompasso

Representantes do setor produtivo presentes ao fórum destacaram o descompasso evidente entre a formação oferecida e as necessidades reais das empresas. Joel Contente, diretor administrativo da Brasil Terminal Portuário (BTP), afirmou que o crescimento acelerado do setor portuário não tem sido acompanhado pela qualificação adequada da mão de obra. "É um setor em expansão, mas, sem profissionais preparados, isso se torna um problema", disse. Segundo ele, há carência específica de competências ligadas à análise de dados e tomada de decisão estratégica.

Bruno Orlandi, secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, destacou que existem oportunidades com alta remuneração ainda sem profissionais suficientes para preenchê-las. "Temos déficit de eletricistas de contêiner reefer, com salários que chegam a R$ 12 mil", afirmou, ilustrando com dados concretos a desconexão entre oferta e demanda no mercado de trabalho.

Ensino técnico como resposta estratégica

Clóvis Dias, presidente do Centro Paula Souza, defendeu o Ensino Técnico como alternativa mais ágil e eficiente para atender às demandas imediatas do mercado. Segundo ele, a formação profissional deve ser baseada em dados concretos e rigorosamente alinhada às necessidades do setor produtivo, garantindo que os estudantes estejam preparados para os desafios reais que encontrarão em suas carreiras.

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Orlandi reforçou que o processo de qualificação passa por três pilares fundamentais: qualificação técnica, direcionamento profissional claro e iniciativa individual. "Ame aquilo que você faz. Independente da escolha, você vai conquistar", afirmou o secretário, encerrando o debate com uma mensagem de motivação para os jovens profissionais que buscam seu espaço no mercado de trabalho em transformação.