SP abre 98 vagas para pesquisadores ambientais após pressão do STF sobre déficit de cargos
SP abre 98 vagas para pesquisadores ambientais após STF

SP anuncia 98 vagas para pesquisadores ambientais após pressão do STF

O Governo do Estado de São Paulo publicou no Diário Oficial desta terça-feira (10) a abertura de 98 vagas para um concurso público de pesquisador científico na área ambiental. O anúncio ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que o Estado apresentasse um plano para a recomposição dos quadros responsáveis pela produção científica.

Primeiro concurso na área desde 2003

O concurso para pesquisador é o primeiro na área de meio ambiente desde 2003, conforme levantamento da Associação de Pesquisadores Científicos (APqC) em 2023. Na época, o órgão, com sede em Campinas (SP), apontou um déficit de 16,8 mil cargos não repostos em posições de pesquisa ambiental de diversos institutos estaduais.

Para Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC, a abertura de vagas é um passo importante para recompor essa capacidade, mas não resolve o problema. São Paulo ainda carece de uma estrutura apropriada para a produção de conhecimento científico, o que, segundo ela, é prejudicado pela extinção de institutos de pesquisa e pela falta de valorização da carreira.

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Medidas do governo e resposta da Semil

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) afirmou que medidas vêm sendo adotadas para valorizar a carreira de pesquisador científico. Segundo o governo, uma lei publicada em 31 de outubro de 2025 reestruturou a carreira, com:

  • Novo modelo de cargos e salários
  • Progressão baseada em mérito
  • Ampliação do percentual anual de promoções para até 70%

Contexto da decisão do STF

Em novembro do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou que São Paulo apresentasse um plano para contratação de pesquisadores ambientais, com metas, prazos e realização de concursos públicos. A medida resultou da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1201, apresentada pelo PSOL-SP.

A ação questionou dispositivos da Lei Estadual 17.293/2020 e de decretos posteriores que extinguiram os Institutos Florestal, Geológico e de Botânica. A arguição também citou o fechamento de 100 escritórios regionais do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN).

Extinção de cargos e críticas

No dia 27 de fevereiro, o Governo do Estado de São Paulo extinguiu, por meio do decreto 70.410, mais de 67 mil cargos da estrutura estadual. Destes, 5.280 estavam ligados a Institutos Públicos de Pesquisa.

"O desmonte da pesquisa pública em São Paulo vem escalando com o passar das últimas duas décadas, e esta decisão de extinguir cargos é uma pá de cal sobre a pesquisa", disse Lutgens.

Entre os cargos extintos, estão:

  1. Agente e técnico de apoio agropecuário
  2. Agente, técnico e assistente de apoio à pesquisa científica e tecnológica
  3. Técnico de laboratório
  4. Engenheiro
  5. Médico veterinário

Estudo revela déficit na carreira científica

Em 2023, a APqC divulgou um estudo sobre a "desestruturação da pesquisa científica e das áreas protegidas no estado", indicando que cerca de 22,9 mil cargos de apoio à pesquisa científica existentes em cinco áreas do Governo do Estado, 16,8 mil estão vagos – o que representa 73%.

Somente no Sistema Ambiental Paulista, que inclui as pastas de Meio Ambiente e Institutos de Pesquisa, eram 9.602 cadeiras desocupadas. O número é destaque em um livro da APqC que busca detalhar a desestruturação da pesquisa científica e das áreas protegidas no estado.

Impacto da extinção dos institutos

O estudo da associação também citou, como parte da desestruturação da pesquisa em São Paulo, a extinção dos institutos de Botânica, Florestal e Geológico, que deixaram de ser independentes e passaram a integrar o Instituto de Pesquisa Ambiental (IPA).

Cada um desenvolvia atividades complementares que moldavam e orientavam as políticas públicas de meio ambiente, como a restauração ecológica, a conservação da biodiversidade e o manejo das áreas naturais protegidas.

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Os pesquisadores apontam que na nova formação, as linhas foram reduzidas a quatro núcleos técnicos, "o que torna a administração ineficiente e difícil". Muitas linhas de pesquisa se perderam, incluindo áreas como educação ambiental e uso público de unidades de conservação.

Resposta governamental e avanços citados

A Semil ressaltou, em nota, que o Instituto de Pesquisas Ambientais aumentou em 56,3% o número de projetos em execução, passando de 87 em 2021 para 136 atualmente. A pasta mantém programas e projetos em parceria com outras instituições paulistas e de outros estados.

Entre os avanços citados pelo governo estão:

  • Reestruturação das carreiras de especialista ambiental e agropecuário
  • Realização de concurso público na Cetesb após 12 anos
  • Aprovação do Plano de Carreira dos empregados da Fundação Florestal

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que "trata-se de uma medida muito aguardada pelos trabalhadores, que corrige lacuna histórica e fortalece a governança ambiental".