Prefeito de Alto Paraguai exonera sete servidores por envolvimento em fraude de concurso público
O prefeito Adair José Alves (MDB) determinou a exoneração de sete servidores municipais de Alto Paraguai, cidade localizada a 219 quilômetros de Cuiabá, nesta segunda-feira (9). A decisão, publicada no Diário Oficial dos Municípios, segue investigação que apontou a participação dos funcionários em um esquema fraudulento durante concurso público realizado em 2024.
Investigação revela cartões-resposta assinados em branco
Os servidores foram alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que identificou irregularidades graves nos cartões-resposta das provas. De acordo com a polícia, foram encontrados 12 cartões assinados pelos candidatos, mas sem qualquer marcação nas alternativas das questões. Pela regra do certame, essa situação deveria resultar em nota zero, porém os candidatos foram aprovados indevidamente.
O esquema foi descoberto no âmbito da Operação Ludificatum. Durante buscas na casa do proprietário da banca examinadora, em Ribeirão Cascalheira, a polícia encontrou um envelope pardo contendo uma lista com nomes de candidatos. O relatório do processo detalha que a fraude consistia na entrega de cartões-resposta assinados em branco ao organizador do esquema, Daniel Luiz Brito, para que depois os nomes dos candidatos fossem incluídos de forma irregular na lista de aprovados.
Servidores exonerados ocupavam cargos em diversas secretarias
Entre os cargos ocupados pelos servidores agora exonerados estão:
- Maria Avelina de França - técnico(a) de desenvolvimento infantil – Educação
- Letícia Rodrigues de Lara - apoio administrativo - monitor(a) – Educação
- Alessandra Araújo de Almeida - professora – Educação
- Jozene Isabel de Lara Rodrigues - secretária recepcionista – Saúde
- Marielle Pereira Machado - enfermeira (técnica de nível superior) – Saúde
- Ronei Rodrigues da Silva - serviço de apoio I (vigia) – Infraestrutura
- Adilson Rodrigues Tanan - motorista – Secretaria Municipal de Saúde
O g1 tenta localizar as defesas dos servidores para ouvir suas versões sobre o caso.
Comissão processante recomendou demissão por unanimidade
Entre as principais provas apontadas no processo estão os documentos apreendidos no inquérito policial, como o envelope com a lista de nomes e os cartões-resposta assinados em branco, além do depoimento do investigado e da ausência de contraprovas concretas por parte da defesa.
A comissão processante recomendou de forma unânime a aplicação da penalidade de demissão. O prefeito assinou a decisão administrativa no dia 5 de setembro, acatando integralmente as conclusões do relatório final apresentado pela comissão.
"O Relatório Final demonstra, de forma robusta e individualizada, que os servidores, mediante a assinatura de cartões-resposta em branco entregues ao organizador da fraude (Daniel Luiz Brito), tiveram seus nomes incluídos em lista de aprovados fraudulentos logrando aprovação indevida no certame, em clara violação aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa", diz trecho do PAD publicado no dia 6 de setembro.
A exoneração dos sete servidores marca o desfecho administrativo de um caso que expôs vulnerabilidades no processo seletivo municipal e reforça a necessidade de maior fiscalização em concursos públicos para garantir a lisura das contratações no serviço público.
