Delegado revela esquema de fraude em concurso da PMTO com 'laranjas' fazendo provas
Fraude em concurso da PMTO: 'laranjas' fizeram provas, diz delegado

Operação desmonta esquema de fraude em concurso da Polícia Militar do Tocantins

O delegado Claudemir Luiz, da Polícia Civil do Tocantins, forneceu detalhes alarmantes sobre uma operação que desmantelou um sofisticado esquema de fraude no concurso público da Polícia Militar do estado. Durante entrevista à TV Anhanguera, o delegado explicou como investigações minuciosas revelaram que impressões digitais e assinaturas de candidatos originais não correspondiam aos registros apresentados em documentos pessoais e nas provas realizadas.

Descoberta através de exames técnicos especializados

Segundo as investigações, cinco candidatos teriam contratado e pago outras pessoas para que estas realizassem a prova da primeira etapa do certame em seu lugar. A polícia conseguiu identificar a fraude através de exames papiloscópicos que analisaram as digitais colhidas no dia da prova e exames grafotécnicos que constataram divergências significativas nas assinaturas apresentadas em diferentes etapas do concurso.

"Nós confrontamos as digitais que foram colhidas no dia da realização da primeira etapa e também das digitais coletadas na segunda etapa, fazendo a confrontação, a papiloscopia identificou que elas eram divergentes", explicou o delegado Claudemir Luiz. "A Polícia Civil afirma com muita tranquilidade, baseada em laudos técnicos, que a pessoa que realizou a primeira etapa não é a mesma pessoa que realizou a segunda etapa."

Operação abrange quatro estados brasileiros

A operação policial foi realizada na manhã de quarta-feira (18) e se estendeu por quatro estados brasileiros:

  • Pernambuco
  • Paraíba
  • Pará
  • Goiás

Durante a ação, foram cumpridos oito mandados de prisão e nove mandados de busca e apreensão domiciliar, demonstrando a abrangência e complexidade do esquema criminoso.

Perfil dos envolvidos no esquema fraudulento

As investigações se concentram na primeira fase do concurso da PMTO, realizada em 15 de junho de 2025. Conforme detalhado pelo delegado, não houve contaminação do concurso ou vazamento de provas e questões, mas sim um esquema organizado de substituição de candidatos.

Além dos cinco candidatos suspeitos de contratar os serviços do grupo criminoso, outros três homens foram identificados como integrantes do suposto esquema:

  1. Um agente socioeducativo lotado no Distrito Federal
  2. Um policial rodoviário federal atuante em Marabá, no Pará
  3. Um ex-policial militar da Paraíba

"Pessoas com bom conhecimento teórico que, infelizmente, se desviaram da função pública para entregar uma organização criminosa e atuavam nessa prática de fraudes", lamentou o delegado Claudemir Luiz.

Instituições envolvidas se posicionam sobre o caso

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela organização do concurso, emitiu nota informando que está fornecendo todas as informações necessárias para a apuração dos fatos e que as suspeitas sobre condutas de alguns candidatos não impactam a integridade do certame como um todo.

Por sua vez, a Polícia Militar do Tocantins esclareceu que os indícios de irregularidade foram inicialmente identificados pela Comissão Organizadora do Concurso, que imediatamente compartilhou as informações com a Polícia Civil do estado. A corporação militar destacou que "as suspeitas referem-se a condutas individuais, não havendo qualquer comprometimento da lisura do certame como um todo".

Concurso continua com mais de 34 mil inscritos

O concurso público da Polícia Militar do Tocantins registrou impressionantes mais de 34 mil inscrições e permanece em andamento, com a classificação final ainda não divulgada e convocações pendentes. As instituições envolvidas reforçam seu compromisso com a transparência e a legalidade do processo seletivo, garantindo que apenas profissionais qualificados e éticos ingressem no serviço público.

Os nomes dos envolvidos no esquema fraudulento não foram divulgados oficialmente, e as defesas dos suspeitos ainda não se manifestaram publicamente sobre as acusações. O caso segue sob investigação aprofundada pelos órgãos competentes, com a promessa de rigorosa apuração de todas as responsabilidades envolvidas.