Candidatas ao Corpo de Bombeiros do DF se mobilizam por teste físico
Um grupo de mulheres que concorrem a vagas no Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) realizou uma manifestação pública neste domingo (15), em frente ao Ministério Público do DF (MPDFT). O objetivo do ato foi defender a permanência do teste de barra dinâmica no Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso, que está sendo questionado judicialmente pela Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF).
Demonstração prática e argumentos das candidatas
Durante a manifestação, as candidatas levaram uma barra fixa para o local e realizaram, individualmente, pelo menos uma repetição do exercício, demonstrando capacidade de cumprir a exigência prevista no edital. Érika Tayná, uma das participantes, afirmou que a maioria das concorrentes apoia a manutenção do TAF na sua forma atual.
"A comissão que pediu essa ação não representa os candidatos. Hoje a gente teve uma movimentação muito maior do que o número das que pediram essa alteração", declarou Érika. Ela acrescentou: "É porque elas não estão conseguindo fazer, elas conseguem fazer o mínimo, na verdade, de barra, que é uma, e aí elas querem tirar isso pra acabar melhorando a classificação delas no concurso."
A candidata enfatizou que o grupo deseja a continuidade do TAF com a barra dinâmica e as quantidades estabelecidas no edital, mantendo o caráter classificatório do teste.
O que é a barra dinâmica e a barra estática
O concurso dos bombeiros do DF inclui a barra dinâmica para mulheres como etapa eliminatória e classificatória do TAF. Este exercício consiste em uma flexão e extensão completa dos braços na barra fixa, exigindo força muscular para subir e descer o queixo.
Em contrapartida, a barra estática, também conhecida como isometria na barra fixa, é um exercício de resistência muscular onde a pessoa sustenta o peso do próprio corpo suspenso na barra por um tempo determinado, sem realizar movimentos de subida e descida.
Posicionamento da OAB-DF e dados sobre reprovação
A ação judicial movida pela OAB-DF busca retirar a exigência da barra dinâmica para mulheres. Segundo o procurador-geral dos Direitos Humanos da entidade, Idamar Borges, a decisão foi tomada após o "fracasso" das tratativas administrativas com o comando do Corpo de Bombeiros.
"Tentamos uma alternativa administrativa sem sucesso. É um caso de urgência máxima para garantir o controle de legalidade e a isonomia no certame", afirmou Borges.
Nildete Santana de Oliveira, diretora das Mulheres da OAB-DF, argumentou que a questão é constitucional, citando a anulação de testes semelhantes em outros concursos, como o de perito da Polícia Civil. "Não se trata de flexibilizar o rigor da carreira militar, mas de garantir que o critério avalie a aptidão funcional e não apenas elimine candidatas por razões biológicas", disse ela.
Ana Paula Tavares, presidente da Comissão de Direito Militar, apresentou dados indicando que a taxa de reprovação feminina no exercício de barra dinâmica chegou a 30,7% no concurso para bombeiros do Rio de Janeiro, contra apenas 5,8% entre os homens.
Contexto do concurso e próximos passos
O concurso do CBMDF tem gerado debates acalorados sobre igualdade de gênero e critérios físicos em seleções públicas. Enquanto as candidatas manifestantes defendem a manutenção do teste como forma de garantir a meritocracia e a preparação física necessária para a função, a OAB-DF insiste na necessidade de revisão para assegurar isonomia.
A manifestação deste domingo reforça a divisão de opiniões entre as próprias concorrentes e destaca a complexidade de equilibrar padrões físicos rigorosos com princípios de equidade em concursos públicos militares.
