Pesquisa AtlasIntel destaca rejeição como fator decisivo na corrida presidencial
Uma nova pesquisa da AtlasIntel aponta que a rejeição será o principal divisor de águas na disputa presidencial de 2026, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, emergindo como o nome mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento, analisado no programa Ponto de Vista com Marcela Rahal e o diretor de Risco Político da AtlasIntel, Yuri Sanches, mostra que Tarcísio supera o senador Flávio Bolsonaro em capacidade de atrair eleitores moderados e não-alinhados, graças a uma rejeição significativamente menor.
Números do segundo turno revelam cenário apertado
Nos cenários simulados pela pesquisa, Lula aparece com 49,1% das intenções de voto contra 45,4% de Tarcísio de Freitas. Em outra projeção, o presidente mantém 49% diante de Flávio Bolsonaro, que alcança 44,9%. Embora os percentuais sejam próximos, os analistas enfatizam que a dinâmica da rejeição é crucial para entender a competitividade real dos candidatos.
Por que a rejeição é tão importante nesta eleição?
Segundo Yuri Sanches, a rejeição impõe um teto eleitoral difícil de superar em disputas apertadas. Flávio Bolsonaro carrega índices próximos de 50%, patamar semelhante ao do próprio Lula e ao enfrentado por Jair Bolsonaro em 2022. Naquele pleito, o então presidente não conseguiu vencer justamente por não romper essa barreira. Em contraste, Tarcísio apresenta uma rejeição em torno de 40%, o que amplia seu espaço de crescimento e o torna mais atrativo para eleitores indecisos.
Diferenças entre Tarcísio e Flávio Bolsonaro
O governador paulista reúne atributos que facilitam o diálogo com eleitores fora do núcleo bolsonarista, incluindo:
- Experiência no Executivo como governador e ex-ministro no governo Bolsonaro.
- Perfil político capaz de conversar tanto com a direita quanto com setores mais moderados.
- Menor rejeição, permitindo maior flexibilidade para capitalizar em momentos de fragilidade do governo Lula.
Já Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades adicionais, pois o sobrenome Bolsonaro funciona como um símbolo político que limita sua capacidade de expansão junto a eleitores indecisos ou avessos à polarização.
Eleitor decisivo e série histórica das pesquisas
O foco da disputa está no eleitor que não se identifica claramente nem com o bolsonarismo nem com o petismo – um segmento menos ideológico e muitas vezes distante do debate político cotidiano. A série temporal das pesquisas indica que Tarcísio foi o único nome da direita que, em determinados momentos, conseguiu ultrapassar Lula em cenários de segundo turno, especialmente quando o governo atravessou fases de maior vulnerabilidade. Flávio, por sua vez, ainda não demonstrou a mesma capacidade de converter crises do governo em vantagem eleitoral líquida.
Implicações estratégicas para a direita
Os dados da AtlasIntel sugerem que a eleição de 2026 não será decidida apenas pela força das bases eleitorais tradicionais. A capacidade de reduzir rejeições e atrair o eleitor não alinhado ideologicamente será determinante. Isso coloca a direita diante de um dilema estratégico: apostar na identidade bolsonarista consolidada ou buscar um nome, como Tarcísio, com maior potencial de ampliação no segundo turno. A análise reforça que a rejeição continuará a ser um fator central na definição do próximo presidente do Brasil.