Mortes de LGBTQIA+ caem 12% em 2025, mas Brasil segue líder em violência
Mortes de LGBTQIA+ recuam 12% no Brasil em 2025

Um levantamento histórico realizado pelo Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) revela uma redução de 12% nas mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ no Brasil em 2025. Apesar da queda, os números continuam alarmantes, com uma vida perdida a cada 34 horas no país.

Os números da violência em 2025

O estudo, que completa 45 anos de monitoramento, contabilizou 257 casos noticiados ao longo do último ano. Esse número inclui homicídios, latrocínios, suicídios e outras causas violentas. Em 2024, foram registradas 291 mortes, o que significa uma queda de 34 casos. Com o novo dado, o país retorna ao patamar de 2023, quando também foram documentadas 257 mortes.

A distribuição das vítimas por identidade ou orientação sexual foi detalhada no relatório. A maioria era composta por gays (156 mortes), seguidos por mulheres trans (46), travestis (18), bissexuais (9), lésbicas (4) e homens trans (3). O levantamento também registrou a morte de 3 pessoas heterossexuais, assassinadas por defenderem a comunidade, por terem sido confundidas com integrantes LGBTQIA+ ou por estarem acompanhadas de alguém do grupo. Outros 16 casos não tiveram a identidade informada.

Perfil e geografia dos crimes

Os homicídios foram o tipo de crime mais comum, representando 80% do total de casos registrados. Os suicídios aparecem em seguida, com 8%, e os latrocínios (roubos seguidos de morte) com 7%.

Quase 60% dos registros não informam o meio utilizado para cometer o crime. Quando a informação está disponível, as armas de fogo foram usadas em 15% das mortes, e as armas brancas, como facas, em 14%.

Geograficamente, a região Nordeste lidera o triste ranking, com 66 mortes registradas. Em seguida vêm o Sudeste (48) e o Centro-Oeste (33). Outros 84 crimes não tiveram a região informada. Entre os estados, São Paulo, Bahia e Minas Gerais empatam com os números mais altos, sendo que Bahia e Minas tiveram 17 casos cada, e São Paulo, 19. Nas capitais, São Paulo (6), Salvador (5), Manaus, Goiânia e Belo Horizonte (4 cada) se destacam.

Subnotificação e crítica à falta de políticas públicas

Fundador do GGB e doutor em antropologia, Luiz Mott faz um alerta importante: o Brasil ainda lidera o ranking mundial de mortes de pessoas LGBT+, à frente de países como México (40 casos) e Estados Unidos (10). Ele é categórico ao afirmar que a queda de 12% não é resultado de políticas públicas eficazes.

"Como explicar a queda de 12%? Não é por conta de políticas públicas, infelizmente", afirma Mott. "O governo atual fala muito e defende a população LGBT, há leis que assimilaram a homofobia ao racismo, mas não há políticas específicas para proteção da comunidade".

Para o antropólogo, parte da explicação pode estar em uma maior cautela adotada pela própria comunidade, que tem ouvido os alertas e evitado situações de risco. Outro fator seria uma variação inexplicada de ano para ano, comum em crimes de ódio.

A ONG ressalta que seu levantamento, feito com base em notícias da imprensa e correspondências, é apenas "a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue". A falta de sistematização oficial e de financiamento público para pesquisas do tipo gera uma grave subnotificação. Muitos registros policiais e matérias jornalísticas omitem informações cruciais sobre orientação sexual e identidade de gênero das vítimas, dificultando uma análise precisa da violência.

O GGB cobra do governo federal a realização de estudos oficiais para mapear esses crimes e, principalmente, a criação de políticas públicas voltadas especificamente para a proteção da comunidade LGBTQIA+ no Brasil.