Petrobras promete autossuficiência em diesel até 2030, diz Magda a Lula
Petrobras promete autossuficiência em diesel até 2030

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comprometeu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel até 2030. A declaração foi feita durante evento na Refinaria de Paulínia (Replan), a maior do país, nesta segunda-feira (18). Segundo Magda, a meta surgiu em discussões sobre o abastecimento do mercado nacional em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã.

Atualmente, a companhia produz 75% do diesel necessário para o mercado interno, e o plano estratégico previa atingir 85% até 2030. “Todos os países estão discutindo suas seguranças energéticas, o Brasil, por óbvio, está discutindo isso. E, no âmbito dessa discussão de segurança energética do nosso país, nós nos perguntamos por que não 100%? E aí nos comprometemos com o presidente Lula a sermos autossuficientes em diesel até 2030 neste país”, disse Magda.

Investimentos na Replan

Na sexta-feira (15), a Petrobras anunciou investimentos de R$ 6 bilhões na Replan. Para o estado de São Paulo, serão destinados R$ 17,6 bilhões. Entre os projetos, está o início da produção de combustível de aviação ainda em 2026 e a expansão da capacidade de refino em 5% nos próximos anos, o equivalente a aproximadamente 25 mil barris por dia. O investimento nessa expansão é estimado em R$ 6 bilhões, e a obra será executada durante uma parada de manutenção prevista para o primeiro semestre de 2027.

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Atualmente, a Replan processa cerca de 434 mil barris por dia e responde por cerca de 20% da capacidade de refino do país, de acordo com a Petrobras.

Inauguração no CNPEM

O presidente Lula também inaugurou, nesta segunda-feira (18), quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). As novas linhas devem ampliar a capacidade de pesquisa em áreas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.

As “linhas de luz síncrotron” são canais que usam feixes extremamente intensos de luz produzidos por um acelerador de partículas para “enxergar” a estrutura de materiais, células e moléculas em detalhes minúsculos, auxiliando pesquisas científicas e tecnológicas. As quatro linhas receberam investimento total de R$ 230 milhões, sendo R$ 30 milhões do Novo PAC. Com a inauguração, o Sirius chega a um total de 15 linhas em funcionamento.

Considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil, o Sirius integra o grupo restrito de países com fonte de luz síncrotron de quarta geração. O equipamento funciona como um “supermicroscópio” capaz de analisar estruturas em escala atômica e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento.

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Linhas inauguradas

  • Linha Tatu: Primeira da segunda fase do Sirius e financiada pelo Novo PAC, será a primeira fonte de quarta geração a operar na faixa dos terahertz. Permitirá estudar materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas em escala nanométrica, gerando avanços em telecomunicações, computação, processamento de dados com luz, ciência de materiais e sistemas biológicos.
  • Linha Sapucaia: Dedicada a estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, incluindo pesquisas ligadas à parceria científica entre Brasil e China.
  • Linha Quati: Focada em investigações avançadas para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.
  • Linha Sapê: Voltada ao desenvolvimento de materiais avançados com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, incluindo estudos em materiais supercondutores e semicondutores, importantes para novos chips da indústria eletrônica.

Superlaboratório Sirius

O Sirius é um dos três laboratórios de luz síncrotron de 4ª geração do mundo, instalado no CNPEM, que atua como uma espécie de “raio X superpotente” analisando diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Foi projetado para abrigar até 38 linhas de luz (estações de pesquisa), sendo 14 delas previstas na primeira fase. Com o Novo PAC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destinará mais R$ 800 milhões para avançar no projeto, com a construção de mais 10 novas linhas.

Para observar as estruturas, os cientistas aceleram elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para os experimentos. Esse desvio é realizado com a ajuda de ímãs superpotentes, responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo.