Em um evento realizado pelo Grupo Esfera, na cidade de São Paulo, os presidentes do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, fizeram uma promessa direta a um público repleto de empresários. Eles afirmaram que a oposição buscará tratativas com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos-PB, com o objetivo claro de barrar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no país.
Estratégia para impedir a votação
Valdemar Costa Neto destacou que é "difícil" para um deputado ou senador votar contra a proposta, uma vez que a decisão poderia ter um impacto eleitoral significativo. Nesse contexto, o cacique do PL enfatizou que a estratégia principal é barrar o projeto ainda na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, conhecida como CCJ. Suas declarações foram recebidas com aplausos majoritários pelos empresários presentes no evento.
"Nós vamos trabalhar para não votar isso aí. Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ. É ali que vai ser a guerra", afirmou Valdemar, deixando claro o tom de confronto que a oposição pretende adotar. Ele ainda ressaltou que a aprovação do projeto seria uma "bomba" para o país, explicando que "não é fácil para os empresários que já reclamam dos nossos impostos e tudo mais".
Posicionamento do presidente da Câmara
No último domingo, 22 de fevereiro de 2026, Hugo Motta publicou em suas redes sociais que se reuniu com o presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior, do União Brasil-BA. Durante o encontro, ficou decidido que o relator da proposta na Comissão será indicado ainda nesta semana. Motta destacou que o projeto é "legítimo", argumentando que "trabalhar por mais tempo de qualidade, mais tempo para a família e para a saúde é um anseio de todo trabalhador".
Contexto da pauta prioritária
A redução da atual jornada de trabalho no Brasil se tornou uma pauta prioritária do governo neste ano eleitoral, ganhando tração com a retomada das atividades parlamentares. Atualmente, há pelo menos cinco projetos e propostas em tramitação no país que visam acabar com a escala de trabalho 6×1, um regime em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e tem apenas um dia de folga, por meio de mudanças constitucionais ou legais na jornada.
No fim do ano passado, uma dessas propostas, a PEC nº 148/2015, avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e está pronta para ser apreciada pelos senadores em plenário. Isso demonstra a urgência e a complexidade do debate, que envolve interesses de trabalhadores, empresários e a dinâmica política em um ano eleitoral.
O evento em São Paulo serviu como um palco para a oposição reafirmar seu compromisso com os setores empresariais, enquanto o governo busca avançar em uma agenda que considera crucial para os direitos dos trabalhadores. A tensão entre essas forças promete definir os rumos da discussão sobre a jornada de trabalho nos próximos meses.