Nadella defende investimento da Microsoft na OpenAI em julgamento movido por Musk
Nadella defende investimento da Microsoft na OpenAI

O diretor-executivo da Microsoft, Satya Nadella, declarou estar "muito orgulhoso" do investimento inicial lucrativo de sua empresa na gigante de inteligência artificial responsável pelo ChatGPT. A afirmação foi feita durante seu depoimento no julgamento movido por Elon Musk contra a OpenAI. Nadella destacou que a participação da Microsoft, que hoje detém cerca de um quarto da OpenAI Group PBC, contribuiu para criar "uma das maiores e melhor financiadas organizações sem fins lucrativos do mundo".

Contexto do julgamento

A defesa de Musk alega que documentos internos da Microsoft revelam que a empresa priorizava lucros, e não o apoio a um serviço de IA filantrópico. Isso após o investimento inicial de US$ 13 bilhões (R$ 63,53 bilhões) disparar para US$ 92 bilhões (R$ 449,59 bilhões) em quatro anos. Atualmente, a participação do grupo é avaliada em US$ 135 bilhões (R$ 659,72 bilhões). Nadella argumentou: "Se o bolo ficasse maior, obviamente a organização sem fins lucrativos também se beneficiaria em sua missão, e foi exatamente isso que se comprovou."

Intervenção de Nadella na crise da OpenAI

Os advogados de Musk sugerem que a Microsoft foi crucial na transição da OpenAI para uma empresa comercial, citando uma frase de Nadella em 2023: "Temos as pessoas, temos poder de computação, temos os dados, temos tudo." Naquele ano, quando o fundador da OpenAI, Sam Altman, foi demitido, Nadella interveio para apoiá-lo. "Eu também tentaria garantir que Sam e Greg [Brockman] não criassem uma empresa concorrente e que se juntassem à Microsoft", disse Nadella. No dia seguinte à saída de Altman, a Microsoft criou uma subsidiária para recebê-los e adquirir as ações dos funcionários que os seguissem, uma medida que um dos cofundadores estimou custar cerca de US$ 25 bilhões (R$ 122,17 bilhões). Dias depois, Altman retornou ao cargo na OpenAI.

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Novo acordo entre Microsoft e OpenAI

Segundo o site The Information, a OpenAI fechou um novo acordo com a Microsoft para limitar a participação desta nos lucros. A Microsoft agora estaria limitada a receber US$ 38 bilhões, permitindo uma economia de até US$ 97 bilhões até 2030 para a OpenAI.

Ação judicial de Elon Musk

Elon Musk processou a OpenAI, acusando a empresa de trair sua missão original e desviar suas doações de US$ 38 milhões (R$ 188,9 milhões) para construir um império avaliado em mais de US$ 850 bilhões (R$ 4,23 trilhões). O processo expõe disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício antes do lançamento do ChatGPT em 2022. Musk exige que a OpenAI retorne ao status de organização sem fins lucrativos, o que afetaria sua posição na corrida global de IA contra Anthropic, Google e a chinesa DeepSeek. A OpenAI afirma que Musk se retirou voluntariamente após não conseguir o controle majoritário e depois se tornou concorrente direto por meio da xAI, com a IA Grok.

Decisão judicial e impactos

A juíza Yvonne González Rogers dará a decisão definitiva sobre responsabilidade e indenizações, após o veredicto de um júri consultivo. Se decidir a favor de Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida.

E-mails revelam ceticismo inicial

No julgamento, os advogados de Musk tentam convencer o júri de que a Microsoft, ao investir em 2019, sabia que contribuía para desviar a fundação sem fins lucrativos de seu propósito. E-mails de 2018 mostram Nadella consultando executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para usar o Azure. "Em geral, não sei que pesquisa eles estão conduzindo nem como, se a compartilhassem conosco, ela poderia nos ajudar a avançar", escreveu Nadella. Na época, o ceticismo era grande, e o diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, temia que a OpenAI pudesse "ir irritada para a Amazon". Em 2019, um ano e meio após recusar a startup, a Microsoft investiu US$ 1 bilhão (R$ 4,97 bilhões). No total, injetou US$ 13 bilhões (R$ 64,62 bilhões), participação agora avaliada em US$ 228 bilhões (R$ 1,13 trilhão).

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