A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou nesta segunda-feira (11) a lista dos 100 filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos. A seleção faz parte das comemorações dos 15 anos da entidade e ocorre dez anos após a primeira votação.
Mudanças na lista
Segundo a Abraccine, a nova lista traz mais filmes dirigidos por mulheres e negros. “Essa mudança reflete a busca de um olhar mais diverso sobre a produção nacional”, afirmou a associação em comunicado. Atualmente, a entidade reúne 180 críticos de todo o Brasil.
Orlando Margarido, presidente da Abraccine, destacou a importância da revisão: “Desde a primeira edição do livro, resultado da primeira lista, a sociedade mudou, assim como o perfil da associação, que naturalmente cresceu e se modificou. Esta acaba sendo uma revisão importante e necessária da nossa história do cinema”.
Sem ranking
Desta vez, a lista não ranqueia os escolhidos, apenas apresenta os 100 títulos selecionados entre 1.169 obras, entre curtas e longas-metragens. Assim como na primeira edição, os 100 filmes mais votados serão analisados em textos críticos que farão parte de um livro a ser lançado no final do ano pela editora Letramento, organizado por Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva. A publicação também contará com artigos sobre recortes históricos, estéticos e temáticos.
Lista dos 100 filmes brasileiros mais influentes
- Limite (1931), Mário Peixoto
- Ganga bruta (1933), Humberto Mauro
- O ébrio (1946), Gilda de Abreu
- Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle
- Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle
- O cangaceiro (1953), Lima Barreto
- Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos
- Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos
- O grande momento (1958), Roberto Santos
- O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga
- Aruanda (1960), Linduarte Noronha
- O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias
- O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte
- Os cafajestes (1962), Ruy Guerra
- Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni
- Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos
- À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins
- A velha a fiar (1964), Humberto Mauro
- Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha
- Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri
- Os fuzis (1964), Ruy Guerra
- A falecida (1965), Leon Hirszman
- A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos
- São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person
- A entrevista (1966), Helena Solberg
- O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade
- Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira
- A margem (1967), Ozualdo Candeias
- Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins
- O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person
- O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen
- Terra em transe (1967), Glauber Rocha
- O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla
- A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla
- Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade
- Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane
- O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha
- O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins
- Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla
- Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez
- Bang bang (1971), Andrea Tonacci
- S. Bernardo (1972), Leon Hirszman
- Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor
- Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul
- Compasso de espera (1973), Antunes Filho
- Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman
- A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura
- Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna
- Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto
- Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco
- Mar de rosas (1977), Ana Carolina
- A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.
- Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor
- A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett
- Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues
- O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade
- Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco
- Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman
- Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko
- Das tripas coração (1982), Ana Carolina
- Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias
- Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia
- Amor maldito (1984), Adélia Sampaio
- Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
- Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos
- A hora da estrela (1985), Suzana Amaral
- A marvada carne (1985), André Klotzel
- Filme demência (1986), Carlos Reichenbach
- Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado
- Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat
- Superoutro (1989), Edgard Navarro
- Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach
- Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati
- Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles
- Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas
- Central do Brasil (1998), Walter Salles
- O auto da compadecida (2000), Guel Arraes
- Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky
- Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho
- Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund
- Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho
- Madame Satã (2002), Karim Aïnouz
- Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes
- O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz
- Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci
- Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho
- Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado
- Santiago (2007), João Moreira Salles
- Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra
- O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho
- O menino e o mundo (2013), Alê Abreu
- Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós
- Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert
- Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho
- Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans
- As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra
- Marte um (2022), Gabriel Martins
- Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta
- Ainda estou aqui (2024), Walter Salles
- O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho



