Presidente-candidato orienta eleitores sobre consumo de informação e alerta para riscos digitais
Em um comício realizado para trabalhadores de um estaleiro no Rio Grande do Sul, o virtual candidato a um quarto mandato presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva, compartilhou sua estratégia pessoal para lidar com o noticiário e fez duras críticas ao uso excessivo de telefones celulares. O evento, ocorrido nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, seguiu o roteiro tradicional das campanhas de Lula ao longo dos últimos 36 anos, mas trouxe um novo conselho aos eleitores.
Horário restrito para notícias ruins
Lula revelou que, como presidente da República, adota uma postura firme em relação ao consumo de informações após determinado horário. "Olha, sou presidente da República e eu não quero saber de notícia ruim depois das oito horas da noite", afirmou ele. O presidente-candidato explicou que essa decisão visa garantir seu bem-estar e capacidade de decisão: "Eu não estou preocupado com o que acontece no mundo depois. Eu quero dormir porque eu sei que se eu dormir bem, eu acordo bem."
Ele detalhou que prefere receber notícias apenas a partir das oito horas da manhã, argumentando que antes disso não poderia tomar nenhuma medida. "Que eu tenho que saber de notícia pela manhã? Que bobagem é essa?", questionou, em tom de desdém. Essa declaração, no entanto, pode ser considerada um exagero retórico, pois, se seguida à risca, faria com que Lula só soubesse de eventos críticos, como o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela ocorrido em janeiro, horas após o fato.
Críticas ao celular e à 'indústria da mentira'
Além do horário para notícias, Lula dedicou parte de seu discurso a alertar sobre os perigos dos telefones celulares, que ele classifica como fontes de "manipulações e mentiras". O presidente-candidato exortou os presentes a não se deixarem dominar por esses dispositivos: "Nós precisamos destruir essa fase da mentira e do ódio que tem tomado conta do nosso país. É impressionante a quantidade de manipulação e de mentiras passado 24 horas por dia."
Ele destacou a onipresença dos celulares na vida cotidiana, mas fez um apelo para que as pessoas não se tornem meros algoritmos. "Eu sei que todo mundo tem um celular na mão. Eu sei que todo mundo não consegue fazer outra coisa, a não ser com celular, sabe? E eu queria dizer para vocês, não se permitam virar algoritmos. Vocês são seres humanos", enfatizou Lula.
O discurso também incluiu uma crítica direta à oposição, acusando a direita de operar uma "indústria da mentira". Lula citou como exemplo a campanha presidencial de Donald Trump em 2024, afirmando que, na última semana, foram enviados dois milhões de mensagens contra a adversária Kamala Harris. "Vai ser assim a campanha (no Brasil)", previu, sugerindo que táticas semelhantes seriam empregadas no pleito brasileiro.
Posicionamento pessoal e alerta sobre dependência digital
Aos 80 anos, Lula afirmou que não possui e nem deseja ter um telefone celular, preferindo, em suas palavras, "coçar outras coisas". Ele classificou o uso excessivo desses aparelhos como um vício, comparando-o a dependências químicas. "Isso é uma dependência digital, sabe? Nós estamos robotizados, nós estamos virando algoritmo e eles fazem com a gente o que eles querem", alertou.
O presidente-candidato concluiu sua fala com um conselho direto aos eleitores: "E quanta mentira, 24 horas por dia. Tá tudo ficando digitalmente difícil do ser humano lidar. Então, se preparem", incentivando uma postura mais crítica e menos passiva em relação ao conteúdo consumido online.
Durante o comício, Lula também manteve sua narrativa habitual, relembrando a trajetória de migração familiar do agreste pernambucano para São Paulo, sua ascensão no movimento sindical e a conquista da presidência sem diploma universitário, que ele considera a mais transformadora em 525 anos de história do Brasil.