A Petrobras dá um passo importante para fortalecer a indústria nacional com a retomada das operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA). Após um longo período de inatividade, a unidade localizada no Polo Industrial de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, reinicia oficialmente sua produção nesta sexta-feira, 16 de janeiro.
Uma história de idas e vindas
A fábrica havia sido desativada pela estatal em março de 2018, dentro de um plano de desinvestimentos. Na época, a justificativa foi a falta de competitividade e os altos custos operacionais. A unidade chegou a ser reaberta brevemente em novembro de 2021, mas só agora retoma suas atividades de forma estruturada e integrada.
Em 2020, o Grupo Unigel adquiriu a Fafen-BA e injetou cerca de R$ 95 milhões em investimentos. No entanto, o contrato foi dissolvido em 2023, deixando a planta novamente em hibernação. O impasse foi resolvido em maio de 2025, quando a Proquigel, subsidiária da Unigel, aprovou um acordo para encerrar as controvérsias contratuais.
O novo capítulo começou em setembro de 2025, com a assinatura de um contrato de Operação e Manutenção (O&M) entre a Petrobras e a empresa Engeman, com duração de até cinco anos. Após a conclusão da manutenção no mês passado, a fábrica entrou na fase de comissionamento e agora inicia sua produção.
Produção integrada e impacto no mercado
A reativação da Fafen-BA não ocorre de forma isolada. Ela está integrada à retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras. A unidade sergipana já está em operação, tendo iniciado a produção de amônia em 31 de dezembro e de ureia no dia 3 de janeiro.
Juntas, as duas plantas vão produzir amônia, ureia e ARLA 32, com investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada fábrica. A expectativa da Petrobras é que a unidade baiana comece a produzir ureia até o final de janeiro.
O impacto na capacidade produtiva do país é significativo:
- Fafen-SE: Capacidade de 1.800 toneladas de ureia por dia, equivalente a 7% do mercado nacional.
- Fafen-BA: Capacidade de até 1.300 toneladas diárias, correspondendo a cerca de 5% da demanda do país.
Segundo William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, as duas Fafens, junto com a Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, responderão por aproximadamente 20% de toda a demanda de ureia do Brasil. A meta é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul.
Geração de empregos e redução da dependência externa
A reativação das duas unidades representa um forte impulso para a economia regional e nacional. A Petrobras estima a geração de cerca de 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos com o retorno das atividades.
Este movimento é considerado estratégico para o Brasil, um país que atualmente importa toda a ureia que consome. A produção nacional de fertilizantes nitrogenados fortalece setores cruciais:
- Agronegócio: Uso direto na agricultura.
- Pecuária: Alimentação de ruminantes.
- Indústria: Setores têxtil, de tintas e de papel e celulose.
- Meio Ambiente: O ARLA 32 é essencial para reduzir emissões veiculares.
Além disso, a operação amplia o uso do gás natural, principal matéria-prima do processo, como alternativa para gerar valor para a indústria nacional. A operação da Fafen-BA inclui ainda os terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu, em Candeias, consolidando uma cadeia logística importante.
Com esta retomada, a Petrobras reforça seu compromisso com o fortalecimento da cadeia produtiva do agronegócio e com a redução da vulnerabilidade externa do país em um insumo fundamental para a economia.