Óleo em alta impulsiona transição energética e inflação deve cair em maio
Óleo em alta impulsiona transição energética e inflação cai

Com a disparada dos preços do petróleo, a transição energética ganhou novo impulso. O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, defenderá amanhã, durante a São Paulo Innovation Week, uma estratégia nacional de eletrificação da economia. A proposta baseia-se no fortalecimento das energias renováveis, da infraestrutura elétrica e da neoindustrialização verde brasileira.

Painel sobre energia eólica e eletrificação

No painel “Energia Eólica em terra e mar e a eletrificação da economia”, Prates destacará o papel estratégico do chamado Brasil Equatorial. Essa faixa territorial vai do Nordeste Setentrional ao Norte Oriental do país, incluindo o Amapá, e concentra alguns dos maiores potenciais mundiais em energia renovável, eólicas offshore, hidrogênio e combustíveis sustentáveis.

A apresentação ocorrerá no dia 14, pela manhã, no Estádio do Pacaembu. O ex-senador deverá enfatizar que a nova economia global será estruturada em torno da eletricidade, impulsionada por inteligência artificial, data centers, automação industrial e mobilidade elétrica.

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Ao lado de Elbia Gannoum, da ABEEólica, e Roberta Cox, do GWEC, Prates também defenderá maior investimento em transmissão, armazenamento de energia, digitalização do sistema elétrico e modernização regulatória. O objetivo é evitar o desperdício de energia renovável no país, especialmente diante do aumento dos episódios de curtailment, que é a interrupção forçada das conexões de energia alternativa pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).

Segundo ele, o Brasil pode transformar sua liderança renovável em política industrial, atraindo cadeias produtivas intensivas em energia limpa e consolidando uma nova fronteira de desenvolvimento econômico sustentável.

Inflação de maio deve cair para 0,38%

A consultoria 4intelligence, após analisar o IPCA de 0,67% em abril e 0,88% em março, que elevou a inflação em 12 meses para 4,39%, prevê nova moderação em maio, com IPCA de 0,38%. Esse movimento estaria ligado à parcial descompressão de alguns setores:

  • Alimentação e bebidas, em resposta à descompressão registrada em preços agropecuários no atacado;
  • Vestuário, já que o pico sazonal de entrada de nova coleção ocorreu em abril;
  • Saúde e cuidados pessoais, pela diluição parcial do aumento dos medicamentos;
  • Transportes, pela devolução parcial em combustíveis dos fortes aumentos de março e abril;
  • Comunicação, pela diluição parcial das altas de planos de telefonia móvel e aparelhos telefônicos.

Especificamente sobre a alimentação no domicílio, a consultoria espera ligeira moderação em cereais, leguminosas e oleaginosas, especialmente o feijão; tubérculos, raízes e legumes, com descompressão esperada do tomate; açúcares e derivados; hortaliças e verduras; carnes, aves e ovos, com nova deflação do ovo de galinha; leites e derivados; e bebidas e infusões, além de nova queda do café, como ocorreu em abril.

Volume de vendas cresce 0,5% em março

Apesar disso, as preocupações com a inflação parecem prevalecer sobre o risco de um esfriamento econômico agudo. As vendas do varejo cresceram 0,5% em março, com boa recuperação, acumulando 0,6% no ano. Para a consultoria, “a atividade tende a seguir sustentada por condições favoráveis no mercado de trabalho e pela adoção, pelo governo, de medidas de sustentação da demanda durante o período eleitoral”.

No entanto, a inflação continua elevada. Além da alta de combustíveis e alimentos pressionar o índice geral, as medidas de núcleo continuam acima das metas, especialmente os serviços, que registram taxas incompatíveis com as metas e têm acelerado nas leituras mais recentes, reflexo das condições apertadas no mercado de trabalho.

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As expectativas de inflação de curto prazo continuam a se elevar, e as expectativas para prazos mais longos têm oscilado para cima, apesar da melhora das expectativas para o câmbio. A consultoria assinala que “o alívio cambial atenua, mas não elimina os problemas centrais: preços de combustíveis defasados, núcleos pressionados, inflação persistente em serviços, expectativas acima das metas”. Assim, “parece pouco provável que o Copom encontre espaço para uma flexibilização mais significativa da política monetária ao longo dos próximos meses”.