Haddad defende parceria madura com EUA após derrota do tarifaço de Trump na Suprema Corte
O ministro da Economia, Fernando Haddad, enviou um recado contundente sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após a recente decisão da Suprema Corte americana que derrubou o chamado "tarifaço" imposto pelo governo de Donald Trump. Durante viagem oficial à Índia, Haddad afirmou que o Brasil é "grande demais para ser quintal" de qualquer nação e defendeu uma relação comercial madura e equilibrada entre os dois países.
Decisão histórica da Suprema Corte americana
A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou que o presidente Donald Trump extrapolou seus poderes executivos ao aplicar tarifas e sobretaxas de 40% que atingiam diretamente as exportações brasileiras, entre as quais produtos como café, carnes e frutas. A corte determinou que tais medidas comerciais ultrapassavam a autoridade presidencial estabelecida pela legislação americana.
Imediatamente após a decisão judicial, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações, demonstrando sua intenção de manter uma postura protecionista na política comercial internacional. A medida afeta diversos países, incluindo o Brasil, mas segundo avaliação do ministro Haddad, a competitividade das exportações brasileiras não será significativamente impactada por essa nova taxa.
Posicionamento firme do ministro brasileiro
"Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas", declarou Haddad durante sua visita à Índia. "Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro. O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo."
O ministro enfatizou que o país busca relações comerciais baseadas no respeito mútuo e no benefício recíproco, rejeitando qualquer tipo de subordinação ou tratamento desigual nas negociações internacionais. Suas declarações refletem uma postura diplomática firme diante das recentes tensões comerciais com os Estados Unidos.
Cronologia das tarifas americanas
A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos teve vários capítulos nos últimos meses:
- Abril do ano passado: Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
- Julho: Mais 40% de sobretaxa foram adicionados, totalizando 50% de tarifas sobre exportações brasileiras.
- Novembro: Após negociações diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a tarifa de 40% foi retirada de produtos específicos como café, carnes e frutas.
- Fevereiro de 2026: Suprema Corte americana derruba o tarifaço, considerando-o inconstitucional.
Impacto nas relações comerciais bilaterais
Apesar das tensões recentes, Haddad demonstrou otimismo quanto ao futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O ministro destacou que o país possui uma economia robusta e diversificada, capaz de estabelecer parcerias comerciais vantajosas com diversas nações ao redor do mundo.
"Nossa competitividade permanece sólida", afirmou Haddad. "Continuaremos trabalhando para fortalecer nossas exportações e garantir que o Brasil ocupe o lugar que merece no cenário comercial internacional."
A postura do ministro reflete uma estratégia de diversificação de mercados e fortalecimento de laços comerciais com diferentes blocos econômicos, reduzindo a dependência de qualquer parceiro comercial específico e garantindo maior segurança nas transações internacionais.