Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), classificou a chamada 'taxa das blusinhas' como um erro do governo e afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master será pauta do PT na campanha presidencial. Guimarães destacou as relações agora conhecidas entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro.
Erro do governo e escândalo Master
Guimarães rebateu críticas da oposição sobre o suposto caráter eleitoreiro do 'pacote de bondades' anunciado pelo Planalto, que inclui a derrubada da 'taxa das blusinhas' vigente desde 2024. Lembrando que Flávio negava qualquer contato com Vorcaro até a divulgação de um áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro, o ministro disse: 'O país precisa ser passado a limpo. Defendemos o devido processo legal: quem fez paga a conta. O eleitor será mais criterioso e avaliará o caráter dos candidatos. A imagem do Flávio como moderno e ético ruiu; o rei está nu e será difícil ele se vestir novamente.'
Conforme mensagens reveladas pelo Intercept Brasil, Flávio pediu a Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme 'Dark Horse', sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desse valor, R$ 61 milhões foram efetivamente pagos à produção.
Relação com o Congresso
Guimarães tomou posse em abril, após ser escolhido por Lula para chefiar a Secretaria de Relações Institucionais, substituindo Gleisi Hoffmann (PT), que disputará o Senado pelo Paraná. Ele assumiu com acenos aos parlamentares, afirmando que 'não tem governo que dê certo que não tenha diálogo com o Congresso'. Agora, reconhece que 'faltou estratégia política da nossa parte no Congresso para lidar com casos como a CPMI do INSS', que envolveu Lulinha, filho do presidente. No entanto, diz que 'a situação está voltando à normalidade', apesar da derrota histórica de Lula no Senado, com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.
Guimarães abordou o escândalo do Master ao responder se o governo se apressou para suspender a 'taxa das blusinhas' por temer iniciativa do Congresso. A MP zerando a cobrança federal foi assinada na semana passada. 'Não importa de onde nasce a iniciativa, o que importa é o mérito. O que não queremos é que culpas que não são do governo caiam no nosso colo, como o caso do Banco Master. Não se pode sustentar uma candidatura com mentiras', disse, em alusão a Flávio ter negado relação com Vorcaro.
Pacote de bondades
O ministro listou as medidas do 'pacote de bondades', como subvenção da gasolina e Novo Desenrola, para redução de endividamento e contenção de preços, 'visando uma economia sem sobressaltos antes do processo eleitoral'. 'O pacote não é eleitoral, mas necessário para aquecer a economia e proteger os trabalhadores dos impactos da guerra entre Trump e o Irã nos combustíveis, além de tirar um pouco do sufoco das famílias com o endividamento. O país não deixa de ter governo por causa do período eleitoral.'
Guimarães argumentou que a taxação das importações foi incluída no Congresso por um deputado do PP, durante a tramitação do programa Mover, mas admitiu ter sido um erro o Planalto ter embarcado na cobrança. À época, um dos motivos era a proteção e geração de empregos nacionais. Um dos principais defensores da revogação, Guimarães afirmou que a extinção foi produto de um processo de convencimento de cerca de um mês.
A oposição alega que o Planalto apenas se antecipou a um movimento do Congresso para desgastar Lula. 'A emenda que isentou compras até US$ 50 foi votada por unanimidade, mas impactou famílias de baixa renda que compram itens básicos. Por isso, foi necessário desonerar o consumidor. Ela atingiu setores populares e classe média baixa, e o impacto na arrecadação era mínimo. Foi uma medida que não deveria ter sido feita e eu me empenhei para reverter', justificou.
Guimarães minimizou o impacto fiscal das medidas, afirmando que tudo foi feito 'sem mexer nas regras fiscais ou desarranjo fiscal'.
Lula sempre foi contra a taxa, afirma Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Lula 'sempre foi contra' a 'taxa das blusinhas' e que o presidente ficou isolado na defesa da cobrança aprovada pelo Congresso. A declaração ocorreu após o governo zerar o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.



