Deputado analisa ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e faz alerta estratégico
O crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais reacendeu o debate sobre a representação da direita nas eleições deste ano. O deputado Fausto Pinato, em análise detalhada, reconhece que o avanço do filho do ex-presidente é compreensível, mas emite um alerta crucial sobre os desafios que a candidatura enfrenta.
O crescimento natural e seus limites
Para Pinato, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas sondagens é um movimento natural dentro do cenário político atual. O sobrenome Bolsonaro ainda mobiliza um eleitorado expressivo, impulsionado principalmente pela forte rejeição ao Partido dos Trabalhadores que permanece em setores significativos da população.
"Esse crescimento é natural", afirma o deputado, ao destacar que o antipetismo continua sendo um fator relevante para explicar o desempenho inicial do senador nas pesquisas. No entanto, Pinato ressalta que esse movimento por si só não elimina um dilema central: sem romper com pautas mais radicais, a candidatura corre sério risco de se tornar um ativo estratégico para os adversários políticos.
A necessidade de moderação e pragmatismo
Pinato reconhece que, dentro da família Bolsonaro, Flávio sempre ocupou uma posição considerada mais moderada. "Isso é incontestável", diz o parlamentar. Ainda assim, ele pondera que o senador precisa demonstrar na prática que não está refém de setores ultradireitistas, especialmente em temas sensíveis da política externa e institucional.
Segundo a análise do deputado, a associação automática ao trumpismo e o discurso de confronto permanente podem afastar eleitores decisivos para uma vitória eleitoral. "Essa dependência de bater continência ao Trump causa medo", afirma Pinato, defendendo uma postura mais pragmática nas relações internacionais, particularmente com parceiros comerciais estratégicos como a China.
Os riscos de repetir erros do passado
Para o deputado do PP, há um cálculo evidente do outro lado do espectro político. Assim como Jair Bolsonaro acreditou que venceria Lula com facilidade em 2022 — e acabou perdendo por margem apertada —, o PT hoje enxerga em Flávio um adversário competitivo, porém com teto eleitoral limitado pela rejeição que carrega.
Pinato lembra que o atual presidente Lula também apresenta altos índices de rejeição, o que tende a empurrar a disputa para um segundo turno polarizado. Nesse cenário, vencerá quem conseguir dialogar além da própria bolha política e atrair eleitores moderados.
O caminho para ampliar o alcance eleitoral
Na avaliação do parlamentar, o desafio do senador passa fundamentalmente por pacificar ânimos e fazer autocrítica. Reconhecer erros do passado — desde a condução da pandemia até ataques desnecessários a países aliados — seria um passo essencial para atrair eleitores moderados e social-democratas.
Pinato recorda que o próprio PT levou derrotas sucessivas até suavizar o discurso e ampliar alianças. "O Bolsonaro, com a máquina na mão, foi o primeiro presidente a perder a eleição. Virou guerrilheiro de ultradireita", afirma, defendendo uma guinada estratégica que priorize o pragmatismo sobre o radicalismo ideológico.
Espaço para uma direita além da polarização
Para o deputado, o Brasil clama por uma liderança pacificadora, capaz de pensar além da dicotomia esquerda-direita que tem dominado o debate político nacional. Ele critica a falta de coragem dos partidos de centro em lançar um nome próprio, ainda que sem chances imediatas de vitória, como forma de construir uma alternativa política para o futuro.
Na agenda que considera prioritária, Pinato defende:
- Investimento em tecnologia e inovação
- Desenvolvimento da indústria de defesa nacional
- Fortalecimento do agronegócio com diversificação econômica
"Um país que quer se desenvolver precisa ir além da duplicação do agro", diz o deputado, apontando a necessidade de um projeto nacional menos ideológico e mais pragmático, que dialogue com as diversas demandas da sociedade brasileira.
A análise de Fausto Pinato oferece um panorama detalhado dos desafios que Flávio Bolsonaro enfrenta em sua trajetória eleitoral, destacando que o crescimento nas pesquisas, embora significativo, não garante sucesso sem mudanças estratégicas importantes na condução da campanha e no posicionamento político.