O senador Ciro Nogueira (PP-PI) evitou defender o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao comentar, nesta quinta-feira (21), as investigações do caso Master, em entrevista à TV Clube. Questionado sobre seu alinhamento com o pré-candidato, Nogueira declarou: “Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”.
Defesa de investigação isenta
O senador reforçou a necessidade de imparcialidade nas apurações: “Neste país, não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei”. Ele também manifestou confiança no trabalho da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) para esclarecer o caso rapidamente, afirmando que “ninguém está acima de ser investigado”.
Critíca a vazamentos seletivos
Nogueira questionou o que chamou de “vazamento seletivo” de informações relacionadas ao caso, que, segundo ele, focam em nomes da oposição. “Cadê as investigações da Bahia, onde é o epicentro desse escândalo e que pega as pessoas da esquerda? Então, eu acho que é o momento de se esclarecer esses fatos no país”, indagou.
Comparação com prisão de Lula
Ao comentar uma possível perda de apoio a Flávio Bolsonaro após as repercussões do caso, o senador citou o presidente Lula (PT) como exemplo de reviravolta política. “Nós já tivemos no país um presidente da República que ficou preso 500 dias e hoje é o presidente da República. Então, espero que se esclareçam essas situações”, disse. Ele completou: “Eu não estou aqui para pré-julgar nem para absolver ninguém. Acho que temos que confiar no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e, principalmente, da Justiça, para fazer um julgamento isento”.
Detalhes do caso Master
No dia 7 de maio, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. O presidente do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), estava entre os alvos; a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dele em Brasília e no Piauí. O irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, também foi alvo da operação, passando a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Após a operação, o senador afirmou que estava colaborando e questionou a motivação das operações em ano eleitoral.
Já Flávio Bolsonaro (PL) se viu no centro dos escândalos do caso Master, após vir a público que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. As informações foram reveladas pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em setembro do ano passado. Os dois também tiveram um encontro presencial após a primeira prisão do banqueiro, no fim de 2025. Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.



