BRB aguarda aprovação de projeto de socorro em até três semanas para recapitalização
BRB espera aprovação de projeto de socorro em três semanas

BRB busca aprovação urgente de projeto para socorro financeiro

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, compareceu à Câmara Legislativa do Distrito Federal na manhã desta segunda-feira (2) para apresentar detalhes sobre a situação patrimonial da instituição financeira. A reunião, realizada a portas fechadas às 9h, teve como objetivo esclarecer aos deputados distritais a dimensão do rombo deixado no patrimônio do banco devido a uma série de transações malsucedidas e sob suspeita envolvendo o Banco Master.

Projeto de lei para recapitalização

Os deputados devem se reunir novamente à tarde para discutir o projeto de lei enviado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que autoriza o uso de nove imóveis públicos do Distrito Federal para ajudar na recapitalização do BRB. As opções incluem vender os lotes ou utilizá-los como garantia em um empréstimo que pode chegar a R$ 6,6 bilhões.

Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Desse total, segundo investigações da Polícia Federal, pelo menos R$ 12,2 bilhões estão envolvidos em operações com fortes indícios de fraude. O Ministério Público Federal identificou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master".

Contexto histórico e resistência política

Ao longo de meses, o BRB tentou fechar um acordo para comprar o Banco Master, com apoio do governador Ibaneis Rocha, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência do BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que mirou o então presidente Paulo Henrique Costa.

Se houver acordo, o projeto de lei sobre o uso dos imóveis pode ser pautado para votação nesta terça-feira (3). No entanto, deputados de oposição e até aliados de Ibaneis têm expressado resistência ao tema. Para a oposição, o projeto é visto como uma manobra para "salvar o calendário eleitoral" dos agentes políticos, incluindo Ibaneis Rocha e Celina Leão, em vez de salvar o patrimônio do BRB.

O governo Ibaneis esperava aprovar o projeto ainda em fevereiro. Quanto maior o atraso, mais complicadas ficam as condições do BRB para captar recursos no mercado financeiro. Este texto é considerado um "teste" para medir o quanto o escândalo do Banco Master abalou o apoio político ao governador.

Assembleia de acionistas e medidas preventivas

Enquanto aguarda a aprovação da Câmara Legislativa, o BRB já convocou uma assembleia de acionistas para 18 de março, com o objetivo de incorporar valores ao patrimônio. A proposta prevê emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar recursos e reforçar o patrimônio da instituição.

Com essa emissão, o banco espera aumentar seu capital social em, no mínimo, R$ 529 milhões e, no máximo, R$ 8,86 bilhões. Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões, o que significa que, se conseguir captar o montante máximo, o banco passaria a ter um capital de R$ 11,2 bilhões – quase quatro vezes o valor atual.

No início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um "plano preventivo" com medidas para recompor seu patrimônio e evitar o descumprimento de regras de solidez do mercado financeiro brasileiro. O documento é mantido sob sigilo.

Lista de imóveis e possíveis consequências

Os imóveis que o Governo do Distrito Federal pretende disponibilizar incluem:

  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb)
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lotes G, I, H, C (pertencente à CEB) e B (pertencente à Novacap)
  • Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – sede abandonada do Centro Administrativo do DF
  • "Gleba A" de 716 hectares, pertencente à Terracap

O empréstimo, que pode ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano preventivo. Se realizado, esses recursos ajudarão o banco a melhorar o perfil de seus ativos, reduzindo riscos e garantindo solidez para evitar desconfianças no mercado.

Com a garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis, como juros menores, para dar consistência ao balanço patrimonial, abalado pelas transações mal-sucedidas com o Banco Master. Por outro lado, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem ser obrigados a vender esses imóveis para pagar o compromisso assumido.