A Avibras, tradicional fabricante brasileira de sistemas de defesa e aeroespaciais, retomou suas atividades em São José dos Campos (SP) com 271 funcionários, após receber um aporte de R$ 300 milhões de investidores, incluindo o bilionário Joesley Batista. A empresa, que estava em recuperação judicial desde 2022 e enfrentou uma greve de 1.281 dias, agora opera sob o nome Avibras Aeroco.
Setor bélico em expansão
O Brasil vive um momento de aquecimento no setor de defesa, impulsionado pelo aumento dos gastos militares globais. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares mundiais cresceram 2,9% em 2025, atingindo US$ 2,887 trilhões, o maior nível já registrado. O Brasil se destacou na América do Sul, com um aumento de 13% nos gastos militares, totalizando US$ 23,9 bilhões, impulsionado por investimentos em tecnologia naval e custos com pessoal.
Exportações recordes
Em 2025, a indústria de defesa brasileira alcançou um recorde histórico de exportações, com US$ 3,1 bilhões em autorizações, um crescimento de 74% em relação a 2024. A Base Industrial de Defesa (BID) comercializa para 140 países, com 80 empresas exportadoras, representando cerca de 3,5% do PIB e gerando quase 3 milhões de empregos. Entre os principais compradores estão Alemanha, Bulgária, Portugal, Emirados Árabes e Estados Unidos.
Investimentos e demanda global
Além da Avibras, a Embraer fechou o maior pedido internacional de sua história com os Emirados Árabes para o cargueiro C-390 Millennium. A empresa já vendeu aeronaves para mais de dez países, e o modelo é usado pela Otan. A fragata Tamandaré, da Marinha, também é vista como potencial exportação.
O pesquisador Diego Lopes, do SIPRI, afirma que os gastos militares devem continuar crescendo, com mais de 100 países aumentando seus investimentos em 2025. "A guerra está no horizonte, e os países buscam se preservar, gerando uma espiral de gastos", explica.
Riscos e controvérsias
Especialistas alertam para o destino das armas brasileiras, que podem chegar a governos repressivos, crime organizado e grupos terroristas. Em 2024, as exportações para Burkina Faso, país que sofreu um golpe militar, somaram US$ 8,4 milhões. A empresa Condor foi denunciada por vendas ao Bahrein, e armas brasileiras foram usadas na guerra do Iêmen. O consultor Bruno Langeani, do Sou da Paz, destaca o risco do "efeito bumerangue", com armas exportadas retornando ao Brasil via crime organizado.
A CBC, fabricante de munições, afirma seguir um código de conduta para evitar o tráfico de armas, mas não se manifestou sobre as críticas. A Avibras também não comentou.



