O valor de 134 milhões de reais prometido pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado "Dark Horse", chama a atenção quando comparado aos principais mecanismos de incentivo à cultura no Brasil: a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual. Desse montante, 61 milhões já foram efetivamente pagos.
Comparação com a Lei Rouanet
A Lei Rouanet, que permite a dedução do Imposto de Renda para projetos culturais, não poderia ser utilizada para um longa-metragem como este, pois sua regulamentação só autoriza o financiamento de curtas e médias-metragens. Em 2025, foram apresentados 1.771 projetos audiovisuais por meio da Rouanet, com um valor total aprovado para captação de 1,2 bilhão de reais. No entanto, apenas 240 projetos conseguiram captar recursos, totalizando 132 milhões de reais. Esse valor é ligeiramente inferior ao que Vorcaro ofereceu para o filme sobre Bolsonaro.
Comparação com a Lei do Audiovisual
Já a Lei do Audiovisual, que é o instrumento próprio para longas-metragens, registrou em 2025 a captação de 186 milhões de reais por 91 projetos. Esse valor é apenas 40% maior do que o investimento prometido para um único filme sobre Bolsonaro. Isso evidencia a magnitude do aporte financeiro de Vorcaro em relação ao mercado cinematográfico brasileiro.
Contexto e implicações
O filme "Dark Horse" tem gerado debates sobre o financiamento privado de produções com viés político, especialmente por envolver uma figura pública controversa como Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os mecanismos de incentivo fiscal, como a Rouanet e a Lei do Audiovisual, continuam sendo as principais fontes de recursos para a produção cultural no país, embora enfrentem desafios de captação e execução.



