Caroço de açaí vira biofertilizante e gera negócio sustentável no Amapá
Caroço de açaí vira biofertilizante em negócio sustentável no Amapá

Caroço de açaí se transforma em biofertilizante e impulsiona negócio sustentável no Amapá

Uma solução inovadora que surge a partir do caroço do açaí está ajudando a converter um desafio ambiental em uma oportunidade de negócio promissora em Macapá, no Amapá. O engenheiro agrônomo Wesley Lamonier desenvolveu um biofertilizante sustentável utilizando o resíduo da fruta — abundante na região — e atualmente comanda uma empresa que combina inovação, impacto ambiental positivo e rentabilidade.

Da necessidade à inovação: a jornada do empreendedor

A ideia nasceu da necessidade. Antes de empreender, Wesley administrava uma produção rural com mais de 5 mil pés de pimenta e oito funcionários, mas enfrentou dificuldades financeiras que levaram à falência. Foi nesse momento crucial que ele decidiu buscar alternativas mais sustentáveis e menos dependentes de fertilizantes químicos, que elevavam significativamente os custos de produção.

O ponto de virada ocorreu ao observar o desperdício do açaí: apenas entre 15% e 20% da fruta é aproveitado para consumo, enquanto aproximadamente 80% se transforma em resíduo — principalmente o caroço, frequentemente descartado ou queimado, liberando ainda mais CO₂ na atmosfera.

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Do lixo ao lucro: o processo de transformação

A partir dessa percepção, o empreendedor começou a desenvolver um biofertilizante utilizando biochar, um material obtido através da carbonização sustentável de resíduos orgânicos, como o caroço de açaí. O produto melhora a qualidade do solo ao reter água e nutrientes, funcionando como uma espécie de "ímã" natural. Além disso, ajuda a capturar carbono — um diferencial valioso em tempos de mudanças climáticas.

Com um investimento inicial de cerca de R$ 80 mil e apoio de programas de inovação, o negócio ganhou escala. Atualmente, a fábrica recebe aproximadamente 20 toneladas de caroço de açaí por dia, embora processe, por enquanto, cerca de 2 toneladas. Em 2025, o faturamento médio alcançou R$ 230 mil.

Modelo de negócio e impacto socioambiental

O modelo de negócio é voltado principalmente para o mercado agro, com vendas para empresas (B2B), mas também atende agricultores através de associações e cooperativas. A proposta é reduzir os custos com adubação e, simultaneamente, melhorar a produtividade de culturas como:

  • Hortaliças
  • Frutas

Além do impacto econômico, o empreendimento fortalece a chamada economia circular. A empresa compra os caroços de coletores locais, gerando renda e evitando que o resíduo seja descartado de forma inadequada.

Propósito que vai além do lucro

Para Wesley, o propósito transcende o lucro. "Fazer a diferença na vida dentro da agricultura é o que motiva a gente todos os dias", afirma o empreendedor. A iniciativa demonstra que, ao cuidar do solo, é possível contribuir para um futuro mais sustentável — e criar um negócio promissor ao mesmo tempo.

Esta história inspiradora mostra como a criatividade e o compromisso com a sustentabilidade podem transformar resíduos em recursos valiosos, beneficiando tanto o meio ambiente quanto a economia local.

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