Papa envia carta de conforto aos pais de Benício, menino que morreu após erro médico em Manaus
Papa conforta pais de Benício, vítima de erro médico em Manaus

Papa envia mensagem de solidariedade a família de menino vítima de erro médico em Manaus

O caso do menino Benício, de apenas 6 anos, que faleceu após receber adrenalina por via intravenosa durante atendimento hospitalar, continua mobilizando a cidade de Manaus e agora ganhou atenção internacional através de um gesto de conforto religioso. Os pais da criança, em meio à dor da perda, escreveram uma carta ao Papa Leão XIV e receberam uma resposta pessoal do líder da Igreja Católica.

O gesto que trouxe alento em meio à tragédia

A mãe de Benício, Joyce Xavier, relatou à Rede Amazônica que escreveu a carta em meio às lágrimas, seguindo sugestão de uma amiga que auxiliou no envio da mensagem. No texto emocionado, Joyce descreveu a dor imensurável da família e pediu uma palavra de conforto espiritual.

"Nosso filho tinha 6 anos de idade, uma criança pura, amorosa, inteligente e saudável. Nos ensine a lidar com essa dor imensurável. Nos dê alguma palavra de participação, de conseguir seguir nossas vidas", escreveu a mãe em trecho da carta.

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A resposta papal que renovou forças

Na resposta, o Papa Leão XIV expressou profunda solidariedade e proximidade espiritual com a família enlutada. "Estejam certos de sua proximidade e de sua ternura. Ele não está distante do que vocês estão vivendo, pelo contrário, compartilha e carrega isso com vocês", escreveu o pontífice.

O líder católico continuou: "Com Maria, vocês saberão esperar com paz. Hoje há sofrimento, mas com a certeza da fé, um novo dia surgirá e vocês reencontrarão a alegria." A mensagem trouxe conforto aos pais e renovou suas forças para que o caso não caia no esquecimento.

Os detalhes trágicos do caso

Benício faleceu no dia 23 de novembro de 2024, após receber adrenalina diretamente na veia durante atendimento no Hospital Santa Júlia. Segundo as investigações em andamento:

  • A dosagem e a via de aplicação não eram indicadas para o quadro clínico da criança
  • Após a aplicação, o menino sofreu seis paradas cardíacas consecutivas
  • As tentativas de reanimação não foram bem-sucedidas

Investigação policial avança com indiciamentos

A Polícia Civil já indiciou duas profissionais envolvidas no caso:

  1. Médica Juliana Brasil Santos - responsável pela prescrição da adrenalina
  2. Técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva - que aplicou o medicamento

Ambas foram indiciadas por homicídio doloso e seguem afastadas de suas funções enquanto aguardam o desfecho do inquérito, que depende de laudos periciais para conclusão.

As versões das profissionais envolvidas

Em depoimento à polícia, a médica Juliana reconheceu ter errado ao prescrever adrenalina por via intravenosa, afirmando que a medicação deveria ter sido administrada por outra via. Ela declarou ter se surpreendido pelo fato de a equipe de enfermagem não ter questionado a prescrição.

A defesa da médica apresentou uma tese alternativa, alegando que o erro ocorreu devido a falhas no sistema de prescrição eletrônica do Hospital Santa Júlia, que teria alterado automaticamente a via do medicamento durante instabilidades técnicas no dia do atendimento.

Já a técnica de enfermagem Raiza Bentes afirmou que apenas seguiu a prescrição médica ao aplicar a adrenalina, sem realizar diluição prévia. Ela relatou ter informado a mãe da criança sobre o procedimento e descreveu que, após a aplicação, Benício apresentou imediatamente palidez, dor no peito e dificuldade respiratória.

O impacto na comunidade manauara

O caso continua mobilizando familiares, amigos e a comunidade de Manaus, que acompanha atentamente cada desenvolvimento nas investigações. A carta do Papa trouxe um momento de alívio espiritual para os pais, mas a busca por justiça e respostas sobre as circunstâncias da morte do menino permanece como prioridade para a família e autoridades.

A Justiça já revogou habeas corpus concedido anteriormente à médica investigada, demonstrando a seriedade com que o caso está sendo tratado pelas instâncias judiciais do Amazonas.

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