MPMG revela graves irregularidades em lares de idosos em Minas Gerais, incluindo dois clandestinos
MPMG aponta irregularidades graves em lares de idosos em Minas

MPMG expõe situação crítica em instituições para idosos em Minas Gerais

Um relatório parcial do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), divulgado na segunda-feira (9), revelou um cenário alarmante em instituições de acolhimento a idosos no estado. Em Uberlândia, duas instituições foram classificadas como clandestinas e outras 21 apresentaram irregularidades graves, expondo os residentes a riscos imediatos à vida e violando direitos fundamentais.

Instituições clandestinas e falhas estruturais

As instituições clandestinas identificadas são a Residência Particular Mônica, no bairro Santa Mônica, e a Doce Morada Assistência aos Idosos, no bairro Nossa Senhora Aparecida. Ambas operavam sem registro, licença ou fiscalização, configurando infrações gravíssimas que podem caracterizar violência patrimonial, conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Pessoa Idosa.

O relatório 'Acolher com Dignidade', que sistematiza fiscalizações realizadas entre março de 2025 e fevereiro de 2026, agrupou as irregularidades em cinco eixos principais:

  • Regularidade jurídica, documental e administrativa: concentrou o maior número de falhas, incluindo gestão irregular de benefícios previdenciários dos acolhidos.
  • Recursos humanos: insuficiência de profissionais qualificados, como cuidadores e responsáveis técnicos.
  • Infraestrutura e acessibilidade: rampas fora das normas, ausência de barras de apoio e dormitórios superlotados.
  • Cuidados de saúde: quase inexistente articulação com o SUS e improvisação no atendimento a idosos com alta dependência.
  • Garantia de direitos e convivência: ausência de lazer e vínculos sociais, reduzindo a vida institucional a rotinas básicas.

Violência e desrespeito à dignidade humana

Entre as situações mais graves, o MPMG encontrou problemas de acessibilidade que provocam quedas frequentes, banheiros sem barras de apoio, dormitórios superlotados e ambientes sem portas, violando a intimidade dos idosos. Práticas como compartilhamento de roupas, peças íntimas e escovas de dentes foram registradas, expondo os residentes a riscos de contágio de doenças.

Em casos extremos, o relatório identificou violações de direitos humanos, incluindo idosos amarrados a camas ou cadeiras e até mantidos em gaiolas. A promotora de Justiça Érika de Fátima Matozinhos Ribeiro destacou que a maioria das falhas decorre da falta de recursos, ausência de capacitação dos gestores e inexistência de políticas públicas efetivas.

"Na cadeia, os presos podem andar, tomar sol, receber visita íntima. Na instituição de acolhimento, muitas pessoas ficam deitadas na cama o dia inteiro", avaliou a promotora, enfatizando o abandono assistencial enfrentado pelos idosos.

Objetivo do monitoramento e ações necessárias

Segundo o MPMG, o objetivo do trabalho não é encerrar as atividades das instituições, mas identificar problemas, propor soluções e promover a regularização. O relatório recomenda a interdição imediata das instituições clandestinas e o reassentamento dos acolhidos em locais adequados.

O g1 questionou a Prefeitura de Uberlândia sobre medidas tomadas diante das irregularidades e possíveis registros anteriores de queixas, mas não obteve resposta até a última atualização. A redação também procurou o MPMG para entender quais providências já foram adotadas e aguarda posicionamento.

O panorama revelado pelo relatório aponta violações estruturais e assistenciais que exigem ação imediata das autoridades, visando garantir condições dignas de acolhimento para a população idosa em Minas Gerais.