Filhos de Vladimir Herzog recebem anistia política 48 anos após morte do pai
Filhos de Vladimir Herzog são reconhecidos como anistiados

Os filhos do jornalista Vladimir Herzog, vítima emblemática da ditadura militar brasileira, alcançaram um importante reconhecimento oficial décadas após o assassinato do pai. Ivo e André Herzog foram declarados anistiados políticos pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Um reconhecimento tardio da perseguição familiar

A decisão histórica foi tomada durante uma sessão da comissão realizada no dia 29 de janeiro de 2026. O relator do processo, o conselheiro Fábio de Sá e Silva, foi enfático ao votar pela concessão da anistia. Ele destacou que a violência sofrida por Vladimir Herzog em 1975, quando foi torturado e morto nas dependências do DOI-CODI em São Paulo, se estendeu como uma forma de perseguição a toda sua família.

Os irmãos Herzog tinham apenas 9 e 7 anos de idade, respectivamente, quando perderam o pai. O trauma e o medo gerados pela brutalidade do Estado e pela campanha de desinformação que se seguiu à morte de Vlado marcaram profundamente suas vidas. A decisão da comissão reconhece formalmente que eles também foram vítimas indiretas da repressão, sofrendo com a ausência paterna imposta pelo regime e com o estigma da perseguição política.

O legado de Vladimir Herzog e a luta por memória e verdade

Vladimir Herzog foi assassinado em 25 de outubro de 1975. A versão oficial da ditadura, amplamente desacreditada, alegou suicídio. No entanto, a farsa foi desmontada ao longo dos anos, e sua morte tornou-se um símbolo da resistência contra a arbitrariedade e a violência de Estado. A anistia concedida a seus filhos vai além de uma reparação simbólica; é um ato de justiça que afirma a responsabilidade do Estado na violação dos direitos de toda a família.

O processo movido por Ivo e André Herzog argumentou que a perseguição política não terminou com a morte do jornalista. A família precisou lidar com as consequências psicológicas, sociais e até com limitações práticas, como a dificuldade de obter documentos, em um clima onde o sobrenome "Herzog" era associado à oposição ao regime.

Reparação e o significado para o presente

Como anistiados políticos, Ivo e André Herzog têm direito a uma série de reparações previstas em lei, que incluem indenização pecuniária. No entanto, o significado mais profundo da decisão reside no reconhecimento oficial da verdade histórica. É a confirmação, por um órgão do Estado, de que a ditadura militar causou danos irreparáveis que atravessaram gerações.

Este caso reacende o debate sobre a importância da Comissão de Anistia e das políticas de memória e justiça de transição no Brasil. A concessão da anistia aos filhos de Herzog, quase 50 anos após o crime, mostra que as feridas da ditadura ainda demandam atenção e que a busca por reparação para as vítimas e seus familiares é um processo contínuo e necessário.

A decisão serve também como um alerta para o presente, reforçando a necessidade de se defender a democracia e os direitos humanos, garantindo que atrocidades como a que vitimou Vladimir Herzog nunca mais se repitam na história do país.