Família registra BO por suposto caso de racismo contra adolescente em partida de futebol em Passos (MG)
A Polícia Civil de Passos, no estado de Minas Gerais, está conduzindo uma investigação sobre um suposto caso de racismo que teria ocorrido durante um jogo amistoso de futebol. O incidente envolveu jogadores das categorias sub-17 do Passospel e sub-20 do Caram, no domingo (22), no Estádio Abrahão Caram.
Detalhes do incidente
Conforme informações registradas no boletim de ocorrência, um adolescente de 16 anos, integrante do time do Passospel, foi alvo de injúrias raciais durante a partida. Ele teria sido chamado de macaco por três vezes por um jogador de 33 anos do Caram. Após as agressões verbais, a vítima deixou o campo em prantos, o que resultou na interrupção e posterior suspensão do jogo.
Relato da mãe do adolescente
Juliana Aparecida Jerônimo, mãe do adolescente, descreveu o impacto emocional sofrido pelo filho. "Ele chegou em casa abalado, contando que estava vibrando muito no meio de campo quando o rapaz mandou ele calar a boca e o chamou de macaco", relatou. Ela acrescentou que o adolescente conversou com o árbitro, mas o caso não foi levado adiante inicialmente, permitindo a continuação do jogo. "Depois, o suposto agressor o chamou novamente, e até um amigo do time escutou e protestou. Aí ele simplesmente virou e falou de novo: 'É mesmo macaco'".
Ação legal e posicionamento dos clubes
A família do adolescente tomou medidas legais, registrando um boletim de ocorrência por injúria racial. Juliana explicou a decisão: "O pai levou ele na delegacia no domingo à noite. Por se tratar de um adulto, pensamos em tomar as devidas providências, já que isso é algo inaceitável". O Passospel se manifestou publicamente, afirmando que o caso está sendo apurado e que medidas cabíveis serão implementadas. O clube enfatizou seu compromisso com o respeito e a igualdade no esporte.
Defesa do suposto agressor e resposta do Caram
O jogador acusado alegou que houve um mal-entendido, relacionando o incidente a um apelido do diretor do Caram, que seria "macaco", e que ele estaria chamando por essa pessoa, não dirigindo a ofensa ao adolescente. No entanto, o Caram Sport Clube respondeu prontamente, banindo o jogador das atividades da equipe e emitindo uma nota de repúdio. O clube reforçou que não tolera qualquer forma de discriminação e destacou que a partida envolvia uma mescla de atletas de diferentes faixas etárias, conforme acordado entre os times.
Contexto e importância do caso
Este incidente ressalta a persistência do racismo no ambiente esportivo, mesmo em jogos amistosos. A rápida ação da família e a resposta dos clubes demonstram uma crescente conscientização sobre a necessidade de combater atitudes discriminatórias. A investigação policial continua, com expectativa de que justiça seja feita para promover um esporte mais inclusivo e respeitoso.



