Pelo menos 15 policiais foram detidos nesta terça-feira, 5, sob suspeita de torturar pessoas em situação vulnerável, incluindo imigrantes e dependentes químicos, em duas delegacias de Portugal. Com o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão, o número total de agentes presos no âmbito das investigações do caso conhecido como Esquadra do Rato subiu para 24.
Crimes ocorreram entre 2024 e 2025
De acordo com as autoridades, os crimes teriam ocorrido entre 2024 e 2025, com a conivência de dezenas de policiais. Durante o anúncio da operação, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que os alvos são policiais que ainda exercem funções e que "de alguma forma poderão ter interagido com o comportamento desviante". Os agentes podem responder por tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas.
Presunção de inocência e tolerância zero
Neves destacou o princípio da presunção de inocência, mas reiterou que "os comportamentos desviantes não são a prática habitual" e que alguns agentes tiveram coragem de denunciar os supostos envolvidos. O diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), Luís Carrilho, enfatizou que a polícia adota "tolerância zero" em casos de abuso de poder e que os portugueses "podem continuar a confiar" nas forças de segurança. Ele também assegurou que as denúncias "são investigadas e a justiça é feita".
"A Polícia de Segurança Pública é uma instituição com cerca de 20 mil homens e mulheres que todos os dias dão o seu melhor para que Portugal seja um dos países mais seguros do mundo. Iremos continuar a fazer isso. Alegações de má conduta, temos tolerância zero", declarou Carrilho.
Terceira operação do caso
Esta é a terceira operação policial relacionada ao caso. Apenas um dos alvos é acusado de 29 crimes, incluindo tortura e violação. Todos os agentes da PSP ouvidos como testemunhas pela juíza de instrução criminal negaram ter presenciado qualquer forma de agressão. No entanto, os depoimentos são inconsistentes com as provas obtidas durante as investigações, como vídeos gravados em celulares e mensagens em um grupo de WhatsApp com 70 membros, incluindo policiais. No grupo, são relatados diversos episódios de violência, como o uso de spray de pimenta e socos com luvas de boxe.



