Detentos trabalham sem EPIs na limpeza de Ubá após enchentes; Sejusp nega
Detentos sem EPIs na limpeza de Ubá após enchentes

Denúncia revela condições precárias de detentos em trabalho de limpeza pós-enchente em Ubá

Uma situação preocupante veio à tona na cidade de Ubá, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais, após as fortes chuvas que atingiram a região na última segunda-feira, dia 23. Moradores da localidade fizeram uma denúncia grave: detentos mobilizados para auxiliar na limpeza da cidade estariam trabalhando sem os equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários. O temporal, que já causou a morte de seis pessoas e deixou duas desaparecidas, exigiu esforços de recuperação, mas a forma como parte desse trabalho está sendo conduzida gera questionamentos sobre as condições de segurança oferecidas aos presos.

Secretaria de Justiça nega alegações e promete apuração interna

Em resposta às acusações, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) emitiu uma nota oficial negando veementemente que os presos estejam operando sem equipamentos de proteção, incluindo itens essenciais como botas impermeáveis. A secretaria afirmou que as imagens que circulam nas redes sociais representam "excepcionalidades" e garantiu que o caso será investigado internamente para a adoção das medidas legais cabíveis. No entanto, a postura da Sejusp contrasta com as evidências visuais que têm circulado amplamente.

Vídeos e imagens mostram detentos descalços e sem luvas durante trabalho

Um vídeo obtido pela GloboNews mostra dois detentos realizando a limpeza de uma casa atingida pela lama. Nas imagens, é possível observar claramente que os presos estão descalços, sem luvas de proteção e usando apenas o uniforme padrão do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG). Além disso, em uma publicação feita no perfil oficial do Depen-MG – que foi apagada após questionamentos da reportagem à Sejusp – outros detentos aparecem entrando em um caminhão, também sem calçados adequados. Esses registros visuais reforçam as denúncias dos moradores e levantaram grande repercussão nas redes sociais.

Repercussão leva à retirada dos presos e tentativa de justificativa por parte das autoridades

Devido à forte repercussão nas redes sociais, os presos teriam sido retirados dos locais onde atuavam na limpeza. Em uma tentativa de contrapor as acusações, o diretor da penitenciária da cidade enviou a uma representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ubá registros em que os detentos aparecem recebendo botinas de proteção. No entanto, essa ação parece ser uma resposta tardia, já que as imagens anteriores mostram uma realidade diferente durante a execução dos trabalhos.

Contexto da tragédia e impacto na região

A tragédia causada pelas chuvas em Minas Gerais tem sido devastadora, com Ubá sendo uma das cidades afetadas. Além das seis vidas perdidas e duas pessoas ainda desaparecidas na localidade, a região da Zona da Mata como um todo enfrenta sérias consequências. Em Juiz de Fora, por exemplo, o número de mortos chegou a 40 em pelo menos 11 bairros, conforme mostrado em infográficos divulgados pela mídia. Histórias comoventes, como a de um pai procurando por sua filha de seis anos desaparecida em um deslizamento de terra e a de uma idosa que tem 17 parentes entre mortos e desaparecidos, ilustram a dimensão humana do desastre.

O uso de detentos para trabalhos de limpeza em situações de emergência não é inédito, mas a falta de equipamentos de proteção adequados coloca em risco a saúde e a segurança desses indivíduos. É fundamental que as autoridades garantam condições dignas e seguras de trabalho, mesmo em contextos de crise, para evitar a exploração e o agravamento de vulnerabilidades. A apuração interna prometida pela Sejusp precisa ser transparente e rigorosa, assegurando que medidas corretivas sejam implementadas para prevenir situações semelhantes no futuro.