Mulher condenada por manter vítima em cativeiro por 25 anos no Reino Unido
Uma mulher foi condenada no Reino Unido por manter outra em cativeiro por aproximadamente 25 anos, submetendo-a a condições análogas à escravidão na cidade de Tewkesbury, localizada no condado de Gloucestershire, na Inglaterra. A vítima, identificada apenas como K para proteger sua privacidade, possuía dificuldades de aprendizagem e enfrentou agressões constantes, sobrevivendo com restos de comida ao longo desse período.
Detalhes do caso e abusos sofridos
Segundo informações divulgadas pela BBC, Mandy Wixon obrigava K a realizar trabalhos domésticos exaustivos e a viver em um quarto descrito como semelhante a uma cela de prisão, sem condições adequadas de higiene. Ao longo das décadas, a vítima sofreu agressões físicas frequentes e abusos graves, incluindo esguichar detergente líquido em sua garganta, jogar água sanitária em seu rosto e raspar seu cabelo contra a vontade.
K nasceu em um contexto familiar instável e, em 1996, quando tinha cerca de 16 anos, foi entregue aos cuidados de Wixon, situação que se prolongou por décadas. Com mais de 40 anos, a vítima foi resgatada pela polícia em 15 de março de 2021, após um dos dez filhos da agressora procurar as autoridades demonstrando preocupação com o bem-estar de K.
Investigações e relatos da vítima
As investigações revelaram que ela era espancada com frequência, inclusive com o cabo de uma vassoura, agressão que resultou na perda de dentes. K também era impedida de sair de casa e precisava tomar banho às escondidas, durante a noite. “Não quero estar aqui. Não me sinto segura. Mandy bate em mim o tempo todo. Não gosto disso”, relatou a vítima às autoridades durante o resgate.
Reconstrução da vida e sentença
Atualmente, K vive com uma família de acolhimento, frequenta a universidade e já conseguiu até viajar para o exterior, iniciando um processo de reconstrução de sua vida. Mandy Wixon foi considerada culpada e deixou o Tribunal da Coroa de Gloucester em liberdade provisória. A sentença está marcada para o dia 12 de março. Ao sair do tribunal, a ré afirmou não sentir arrependimento, declarando: “Nunca fiz isso”.