Trump anuncia 'conselho de paz' para Gaza e ataca ONU em Davos
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou uma cerimônia nesta quinta-feira, 22 de janeiro, para lançar o chamado "conselho da paz". Este novo órgão foi criado com o objetivo principal de consolidar o cessar-fogo na Faixa de Gaza e administrar o território palestino de forma interina.
No entanto, Trump deixou claro que as ambições do conselho vão muito além do conflito israelense-palestino. Segundo o mandatário americano, o organismo pode desempenhar um papel mais amplo na resolução de conflitos mundiais, o que tem gerado preocupação entre outras potências globais e nas Nações Unidas.
Críticas à ONU e proposta de colaboração
Durante a assinatura do projeto, Trump aproveitou para fazer duras críticas às Nações Unidas. "Eu acabei com oito guerras e nunca precisei falar com as Nações Unidas sobre isso. Eles poderiam ter acabado com essas oito guerras mas não conseguiram", afirmou o presidente americano.
Apesar das críticas, Trump reconheceu que a ONU possui "tremendo potencial que não tem sido totalmente aproveitado" e sugeriu que o conselho de paz poderia trabalhar em colaboração com a organização internacional para questões relacionadas ao enclave palestino.
Ampliação de escopo e custos polêmicos
Originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, uma versão preliminar da carta constitutiva do conselho não parece limitar seu papel apenas ao território palestino. Esta ampliação de escopo adiciona mais uma camada de controvérsia ao projeto.
Outro ponto polêmico é o custo de participação: US$ 1 bilhão para adesão permanente ao organismo. Um alto funcionário da Casa Branca revelou na quarta-feira que cerca de 35 líderes mundiais já haviam se comprometido a participar, dentre os aproximadamente 50 convites enviados.
Países participantes e ausências notáveis
Entre os países que aceitaram o convite estão:
- Aliados do Oriente Médio: Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Catar e Egito
- Membros da Otan: Turquia e Hungria, cujos líderes nacionalistas cultivam bons laços pessoais com Trump
- Outros países: Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai e Vietnã
O Brasil, também convidado, ainda não tomou uma decisão definitiva sobre sua participação. A cautela tem sido a regra entre muitos convidados, especialmente após as recentes tensões entre Trump e aliados europeus.
Resistência europeia e divisões políticas
A resposta dos líderes convidados começa a refletir o racha criado pelo presidente americano na relação com aliados europeus. Este distanciamento se intensificou após a renovada ameaça de Trump de anexar a Groenlândia, território da Dinamarca que é parte da Otan.
Vários países europeus já manifestaram posição contrária à participação no colegiado:
- Noruega, Suécia e França rejeitaram participar do conselho
- A Itália, segundo a imprensa local, também não deve aderir ao projeto
- Alemanha e Espanha afirmam estar avaliando a proposta
O lançamento do conselho de paz em Davos representa mais um capítulo na política externa disruptiva de Trump, que busca criar mecanismos alternativos às instituições multilaterais tradicionais enquanto mantém um discurso crítico em relação à ONU.