O governo do México exigiu formalmente que os Estados Unidos forneçam esclarecimentos urgentes sobre a morte de um cidadão mexicano que estava sob custódia da polícia de imigração americana, o ICE. O incidente, que aconteceu em um centro de detenção em Atlanta, na Geórgia, na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, acendeu um novo alerta sobre as condições nos centros de imigração dos EUA.
Detalhes do incidente e pedido de investigação
O Ministério das Relações Exteriores do México emitiu um comunicado oficial na quinta-feira, dia 15, confirmando o ocorrido e detalhando suas ações. A pasta informou que o consulado mexicano em Atlanta já solicitou às autoridades americanas que as circunstâncias da morte sejam totalmente esclarecidas. Além disso, o governo mexicano afirmou estar cooperando para garantir que a investigação seja rápida e transparente.
Embora o nome do cidadão falecido não tenha sido divulgado publicamente para preservar a privacidade da família, o Itamaraty confirmou que o consulado estabeleceu contato imediato com os parentes da vítima para prestar assistência consular. Até o momento, as autoridades americanas não emitiram nenhum comunicado oficial detalhando as causas da morte.
Um ano letal sob custódia do ICE
Esta morte não é um caso isolado. De acordo com dados oficiais divulgados pelo próprio ICE, pelo menos outras quatro pessoas já morreram em centros de detenção de imigrantes apenas em 2026. O cenário é ainda mais grave quando se olha para o ano anterior.
O ano de 2025 foi o mais letal em duas décadas para indivíduos sob custódia da polícia de imigração dos EUA. Pelo menos 30 pessoas perderam a vida nessas instalações, marcando o número mais alto desde 2004, período logo após a criação da agência.
Contexto de tensão e protestos
As operações do ICE têm estado no centro de uma crescente polêmica e protestos públicos. Durante o governo do presidente Donald Trump, a agência recebeu um reforço significativo, com aumentos orçamentários, novas contratações em massa e a implementação de uma política agressiva de deportações.
A tensão atingiu um novo patamar após a morte a tiros de Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos, por um agente do ICE em Mineápolis, no dia 7 de janeiro de 2026. Esse episódio desencadeou uma onda de protestos na cidade, que posteriormente se espalhou para outras localidades do país, colocando as práticas da agência sob intenso escrutínio público.
Neste contexto, a morte do cidadão mexicano na Geórgia surge como mais um capítulo preocupante, levando o governo mexicano a adotar uma postura firme em busca de respostas e justiça para seu nacional.