O governo de Donald Trump tem sido marcado por um aumento significativo no uso da força por agentes federais de imigração nos Estados Unidos. Um levantamento inédito revela que, desde o início da nova fase da ofensiva migratória, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) se envolveram em pelo menos 16 episódios com disparos de arma de fogo, resultando em quatro mortes e sete pessoas feridas.
Números da violência: tiroteios e uso de força "menos letal"
Os dados, compilados pela organização jornalística The Trace e divulgados em 9 de janeiro de 2026, mapearam um total de 29 incidentes violentos envolvendo o ICE. Além dos 16 tiroteios com armas de fogo, o relatório registrou 13 ocorrências com uso de armas consideradas "menos letais", como balas de borracha e projéteis de pimenta. Dez desses casos aconteceram durante protestos.
Entre as vítimas da força "não letal" estão dois pastores que foram atingidos por balas de pimenta enquanto conduziam orações em manifestações na Califórnia e em Illinois. A The Trace adverte que os números podem estar subnotificados, já que nem todos os tiroteios envolvendo autoridades migratórias são divulgados publicamente.
Operações recentes e fatalidades
O clima de tensão culminou em eventos trágicos na primeira semana de janeiro. Na quarta-feira, dia 7, agentes federais mataram uma mulher durante uma grande operação de fiscalização em Minneapolis, Minnesota. A vítima, segundo a deputada democrata Ilhan Omar, atuava como observadora legal das ações do ICE na cidade.
No dia seguinte, dois homens foram baleados por agentes federais nos arredores de um hospital em Portland. A polícia local confirmou que ambos foram hospitalizados, com um atingido na perna e outro no tórax. Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna (DHS) justificou a ação alegando que agentes da patrulha de fronteira tentaram abordar um veículo à procura de um suspeito ligado a uma gangue venezuelana e dispararam após o motorista tentar atropelá-los.
Superlotação e recorde de mortes sob custódia
Paralelamente à escalada da violência em operações de rua, a situação dentro dos centros de detenção do ICE se deteriorou rapidamente. Em menos de um ano, a população nesses centros aumentou quase 50%, chegando a aproximadamente 69 mil detidos. No mesmo período, mais de 352 mil imigrantes foram presos e deportados.
A superlotação tornou-se regra, com unidades operando consistentemente acima de sua capacidade. Esse cenário catastrófico tem consequências fatais. De acordo com a ONG American Immigration Council, o primeiro ano do segundo mandato de Trump já é mais letal do que 2020, quando as mortes explodiram devido à pandemia de Covid-19.
Em 2025, 32 pessoas morreram sob custódia do ICE, igualando o recorde anterior de 2004 e marcando o maior número em mais de duas décadas. A entidade atribui o aumento das mortes a uma combinação perigosa de fatores:
- Superlotação extrema
- Mas condições de infraestrutura
- Negligência médica
- Crise de saúde mental entre os detidos
- Violência armada
O contexto de operações intensificadas, com o DHS anunciando iniciativas "extraordinárias" como a de Minneapolis – que mobilizou cerca de 2.000 agentes –, combinado com a crise humanitária dentro dos centros de detenção, pinta um quadro sombrio da política anti-imigração sob a atual administração. Os 16 tiroteios são a face mais visível e imediata de uma estratégia que tem como resultado final um aumento alarmante de fatalidades.