A recente reforma tributária trouxe uma mudança de paradigma para os empreendedores brasileiros, redefinindo o que pode ser considerado um investimento para fins fiscais. A novidade amplia significativamente o direito a créditos tributários, beneficiando desde o pequeno comerciante até as grandes corporações.
O Que Mudou com a Reforma Tributária?
De acordo com Rodrigo Spada, presidente da Febrafite (Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais), a reforma altera o conceito tradicional de investimento. Agora, não se trata apenas de grandes expansões ou aquisições milionárias. Qualquer gasto que contribua para a operação do negócio, independentemente do seu porte, pode ser enquadrado.
Na prática, isso significa que uma ampla gama de despesas passou a gerar crédito tributário dentro do modelo do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Entre os itens citados estão:
- Reformas em instalações comerciais.
- Compra de máquinas, equipamentos, computadores e celulares.
- Aquisição de veículos para uso na empresa.
- Móveis de escritório.
- E, em um exemplo emblemático, até um fogão industrial para um restaurante.
Como Funciona o Crédito no Novo IVA?
O mecanismo é direto e visa eliminar a cumulatividade de impostos, um dos grandes problemas do sistema anterior. No modelo do IVA, o imposto incide apenas sobre o valor adicionado em cada etapa da produção ou comercialização.
Isso funciona da seguinte forma: o imposto pago na compra de um bem ou serviço para a empresa já vem embutido no preço. Esse valor, por sua vez, retorna como um crédito para o negócio. Posteriormente, esse crédito é abatido automaticamente do imposto devido sobre as vendas realizadas.
Rodrigo Spada explica que no sistema antigo, impostos sobre o consumo como IPI e ISS não se comunicavam, impedindo o aproveitamento integral dos créditos e encarecendo toda a cadeia produtiva. Com o IVA, o tributo passa a pesar sobre a margem de lucro (a diferença entre o que se vende e o que se compra), e não sobre o faturamento total, tornando o processo mais justo e eficiente.
Impacto para Pequenos e Grandes Negócios
A mudança é particularmente benéfica para pequenos empreendedores, que muitas vezes tinham dificuldade em se capitalizar. Agora, a compra de um ativo essencial para o funcionamento do negócio, como o fogão do exemplo, deixa de ser apenas uma despesa e se transforma em um mecanismo de redução da carga tributária futura.
Essa medida estimula a modernização, a capacitação e o crescimento das empresas, pois torna investimentos antes considerados apenas custos operacionais em fontes de crédito fiscal. A expectativa é que isso aqueça setores como o de comércio de equipamentos e serviços, além de tornar as empresas brasileiras mais competitivas.
A análise foi destacada no programa Mercado, da TV VEJA, em 15 de janeiro de 2026, reforçando a importância de os empresários se atualizarem sobre as novas regras para aproveitar ao máximo os benefícios da reforma.