Inflação de 2025 fica dentro do teto, mas passa 10 meses fora da meta
IPCA 2025: 4,26% dentro do teto, mas 10 meses fora da meta

O ano de 2025 marcou uma virada no controle de preços no Brasil, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrando o período dentro do limite máximo estabelecido pelo governo. No entanto, a trajetória ao longo dos doze meses revela um cenário de pressão persistente.

Resultado anual dentro do teto, mas trajetória irregular

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, a inflação oficial do país acumulou alta de 4,26% no ano de 2025. Esse percentual ficou dentro do intervalo de tolerância, cujo centro da meta é de 3% e o teto é de 4,5%.

Esse resultado contrasta com o ano anterior, quando o IPCA de 2024 fechou em 4,8%, ultrapassando o limite máximo vigente na época. Apesar do fechamento dentro do teto, a análise mensal mostra que a inflação acumulada em 12 meses permaneceu em terreno elevado durante a maior parte de 2025.

O novo regime de meta contínua em ação

O ano de 2025 foi o primeiro a operar sob o novo modelo de meta contínua de inflação, uma mudança formalizada em junho de 2024 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A proposta foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O sistema anterior avaliava o cumprimento da meta apenas no fechamento de dezembro. Já o novo regime estabelece que há descumprimento somente se a inflação acumulada em 12 meses permanecer fora da banda de tolerância por seis meses consecutivos. Essa regra visa evitar que choques temporários em setores específicos, como alimentos ou energia, sejam automaticamente caracterizados como um fracasso da política monetária.

Pressão persistente ao longo do ano

Apesar da mudança de regime, os números mostram que a inflação exerceu pressão constante. Segundo os dados do IBGE, ao longo de dez dos doze meses de 2025, o IPCA acumulado em 12 meses permaneceu acima do teto de 4,5%. A volta para dentro do intervalo de tolerância só ocorreu em novembro, quando o índice recuou para 4,46%.

Este desempenho coloca 2025 em um contexto histórico relevante: desde 1999, a inflação anual ficou no limite da meta ou a furou em oito oportunidades, sendo sete delas rompimentos do teto estabelecido.

A divulgação do IPCA de 2025 consolida a primeira experiência completa do Brasil com a meta contínua, um instrumento que busca dar mais flexibilidade e robustez ao combate à inflação, mesmo diante de um ano em que os preços demonstraram resistência em cair para o centro da meta de 3%.