Pesquisa global revela que IA gera mais empregos do que elimina no mercado de trabalho
IA cria mais empregos do que elimina, aponta pesquisa com executivos

Inteligência artificial impulsiona criação de empregos em vez de substituição, revela estudo global

Uma pesquisa abrangente com 2.050 executivos de dez países diferentes está desafiando as narrativas apocalípticas sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. O levantamento, realizado pela Snowflake em parceria com a consultoria Omdia, apresenta dados que apontam a tecnologia mais como criadora do que destruidora de oportunidades profissionais.

Dados concretos sobre o impacto positivo da IA

Os números revelam que 77% das organizações participantes associam diretamente a adoção de inteligência artificial com a criação de novas vagas ou com a reorganização de equipes que resultou na expansão de funções existentes. Este dado surge em um momento de intenso debate sobre o futuro do trabalho e o papel das máquinas na substituição de atividades humanas.

Entre as empresas que registraram tanto contratações quanto demissões relacionadas à implementação de IA, a maioria expressiva de 69% reportou um saldo positivo, com mais pessoas entrando do que saindo da organização. Este balanço contraria visões mais pessimistas sobre a automação e seus efeitos no emprego.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Áreas que mais se beneficiam com a expansão da IA

O estudo detalha quais setores estão experimentando o maior crescimento na demanda por profissionais:

  • Operações de TI lideram com 56% das empresas relatando aumento nas contratações
  • Cibersegurança aparece em segundo lugar com 46% das organizações expandindo suas equipes
  • Desenvolvimento de software completa o trio principal com 38% das empresas contratando mais profissionais

Esta concentração em áreas técnicas faz sentido quando consideramos que a expansão da inteligência artificial naturalmente aumenta a demanda por especialistas capazes de implementar, monitorar e proteger os sistemas emergentes. Quanto mais a tecnologia avança, maior se torna a necessidade de profissionais qualificados para gerenciar seus desafios e potencialidades.

Retorno financeiro começa a aparecer, mas medição permanece complexa

Além do impacto no emprego, a pesquisa também investigou o retorno sobre investimento (ROI) em inteligência artificial generativa. As empresas participantes relataram receber aproximadamente US$ 1,49 para cada dólar investido em iniciativas de IA.

"Quantificar o retorno financeiro da inteligência artificial representa um desafio significativo", explica o relatório. "Os ganhos frequentemente se manifestam de maneira difusa, aparecendo em melhorias de produtividade, velocidade operacional e qualidade dos processos, sem necessariamente se converterem imediatamente em receita monetária direta."

Desafios persistentes na implementação em larga escala

Apesar dos resultados positivos, o estudo revela que 96% das organizações enfrentam dificuldades significativas ao tentar escalar suas iniciativas de inteligência artificial. O principal obstáculo identificado não está na tecnologia em si, mas no estado dos dados disponíveis.

Oito em cada dez entrevistados reportaram problemas técnicos relacionados a dados, incluindo a necessidade de desmantelar silos de informação, medir qualidade de bases existentes e preparar informações não estruturadas para uso em sistemas de IA. Apenas 7% das empresas afirmam que mais da metade de seus dados não estruturados está realmente pronta para ser utilizada em aplicações de inteligência artificial.

Falhas de governança e uso não autorizado

Uma contradição preocupante emergiu da pesquisa: 57% dos funcionários admitem utilizar ferramentas de IA fora das diretrizes formais estabelecidas por suas organizações. Entre executivos de alto escalão, este número sobe para 66%, criando uma situação paradoxal onde justamente as pessoas responsáveis por definir políticas de governança são as que mais frequentemente as ignoram na prática.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Esta desconexão entre política e prática representa não apenas um desafio operacional, mas também uma potencial vulnerabilidade de segurança, já que o uso não supervisionado de ferramentas de inteligência artificial pode expor organizações a riscos não previstos em seus protocolos de proteção.

O estudo conclui que, embora a inteligência artificial esteja demonstrando seu potencial como geradora de oportunidades profissionais, especialmente em áreas técnicas especializadas, sua implementação bem-sucedida requer atenção cuidadosa à qualidade dos dados, à governança adequada e ao desenvolvimento de estratégias que equilibrem inovação com responsabilidade organizacional.