Greve de motoristas de ônibus paralisa 40% da frota em Macapá
Trabalhadores da empresa de transporte Nova Macapá iniciaram uma paralisação parcial nesta quarta-feira, 15 de abril, em protesto contra atrasos no pagamento de salários. Segundo informações do Sindicato dos Rodoviários do Amapá, 171 funcionários estão sem receber seus vencimentos, o que motivou a retirada de circulação de aproximadamente 40% dos ônibus da empresa, equivalente a 26 veículos.
Impacto no serviço e previsão incerta
Atualmente, apenas 65 ônibus estão em operação na capital amapaense, número significativamente abaixo do mínimo necessário de 86 veículos. Em dias normais, a frota deveria contar com até 126 unidades para atender adequadamente a população. Não há previsão para a retomada completa do serviço, o que gera preocupação entre os usuários do transporte público.
O presidente do sindicato, Max Delis, foi enfático ao afirmar que a paralisação deve continuar caso os pagamentos não sejam realizados até as 18h desta quarta-feira. "Queremos apenas receber para continuarmos nosso trabalho", declarou Delis, destacando que os atrasos salariais são um problema crônico desde o ano passado, com demoras médias de quase 20 dias. "Os trabalhadores não aguentam mais isso", completou.
Posicionamento da administração municipal
Em entrevista à Rede Amazônica, Michel Braz, presidente da Companhia de Transporte e Trânsito de Macapá (CTMac), reconheceu a situação, mas a classificou como pontual. Braz afirmou que há diálogo em andamento com as empresas operadoras e esclareceu que a prefeitura pagou em dia os meses de fevereiro e março de 2026.
"O que acontece é que os pagamentos anteriores a isso ainda estão pendentes", explicou o dirigente, referindo-se a débitos de 2024 e 2025 que, segundo a Nova Macapá, não foram quitados pela gestão municipal anterior. Braz ressaltou que não havia registro formal de cobrança desses valores até o pedido realizado neste mês de abril.
Consequências para a população
A Nova Macapá é responsável por linhas que atendem as zonas sul e norte de Macapá, áreas densamente povoadas. A redução drástica no número de veículos em circulação cria um cenário de incerteza e dificuldades para milhares de pessoas que dependem do transporte coletivo no seu deslocamento diário.
A paralisação ocorre em um contexto de tensão laboral prolongada, onde os trabalhadores buscam garantir seus direitos básicos, enquanto a população enfrenta os reflexos diretos na mobilidade urbana. O impasse entre a empresa, os funcionários e o poder público ainda não tem solução à vista, mantendo a cidade em alerta quanto à normalização do serviço essencial.



