Promotoria exibe vídeo onde réu tira foto com Moïse imobilizado durante julgamento
Vídeo mostra réu tirando foto com Moïse imobilizado no julgamento

Promotoria exibe vídeo chocante onde réu tira foto com Moïse imobilizado durante julgamento

Em um dos momentos mais impactantes do julgamento de Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, acusado da morte do congolês Moïse Kabagambe, a promotora Rita Cid Varela Guitti Guimarães, do Ministério Público do Rio, apresentou nesta quarta-feira (15) imagens que mostram o réu tirando uma foto ao lado da vítima enquanto ela estava imobilizada e amarrada.

O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2022, em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, onde Moïse trabalhava e foi brutalmente agredido após cobrar o pagamento de diárias atrasadas. Segundo a acusação, Brendon teve papel central na morte, não apenas participando das agressões, mas sendo determinante para que elas ocorressem.

Áudios revelam tranquilidade do réu após o crime

Durante o júri, foram exibidos áudios enviados pelo próprio Brendon na noite do crime, onde ele demonstra completa tranquilidade ao comentar o ocorrido com um amigo. "Graças a Deus estou muito tranquilo (...) Até troquei de roupa já. Vi que tinha chegado a ambulância lá, mas não tinha viatura da polícia", afirmou o réu, evidenciando sua falta de remorso imediatamente após o episódio violento.

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As imagens de câmeras de segurança do quiosque, apresentadas em sequência, mostram o início da confusão e a atuação direta de Brendon nas agressões. A promotora destacou que ele foi "peça fundamental nesse crime", sendo quem derrubou e imobilizou Moïse, permitindo que as agressões continuassem.

Cena macabra: foto com vítima imobilizada

Um dos momentos mais chocantes exibidos no plenário mostra Brendon, após cerca de 10 minutos imobilizando a vítima, pedindo para tirar uma foto da posição de jiu-jitsu que aplicava. Nas imagens, ele aparece fazendo o gesto conhecido como "hang loose" ao lado de Moïse, que estava caído, amarrado e aparentemente desacordado.

A promotora usou tom irônico ao comentar: "Dá pra ver que ele estava muito preocupado com a vítima", referindo-se ao comportamento do réu durante a ação violenta. Segundo a acusação, a cena ocorreu enquanto o funcionamento do quiosque seguia normalmente, com vendas de bebidas acontecendo simultaneamente às agressões.

Violência extrema e tentativa de apagar vestígios

As imagens permitiram à promotoria contabilizar ao menos 37 golpes contra Moïse, incluindo socos, chutes e pauladas com um pedaço de madeira. A violência durou aproximadamente 13 minutos, durante os quais a vítima permaneceu contida sem apresentar resistência.

Outro trecho exibido mostra os momentos após as agressões, quando um casal de banhistas se aproxima do local e percebe que Moïse não apresenta sinais de vida. Só então o réu se aproxima e simula uma tentativa de socorro, realizando uma massagem cardíaca cerca de 11 minutos após o último chute.

Para a acusação, essa ação não teve caráter real de salvamento. "Não teve ninguém ali querendo salvar ele", afirmou a promotora, destacando que em seguida o réu aparece indo até o bar, retornando com água e molhando regiões como tornozelos, pulsos e pescoço da vítima - possivelmente para apagar vestígios das amarrações.

Família emocionada e contexto do julgamento

Durante a exibição dos trechos mais violentos, familiares de Moïse que acompanhavam o julgamento no plenário se emocionaram visivelmente. Em determinado momento, uma mulher da família chorou intensamente quando as imagens mostraram agressões com o pedaço de madeira.

Brendon é o último dos três denunciados como executores do crime a ser julgado. Os outros dois réus - Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca - já foram condenados em março de 2025 a penas que, somadas, chegam a 44 anos de prisão em regime fechado.

Nos julgamentos anteriores, o Conselho de Sentença acolheu as teses do Ministério Público e reconheceu que o crime foi cometido por motivo banal, com extrema crueldade e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. As investigações apontam que os três acusados agrediram Moïse durante cerca de 13 minutos, mesmo sem que a vítima apresentasse resistência.

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