Taxa de desemprego cresce para 5,8% em fevereiro, ultrapassando projeções do mercado
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, que a taxa de desemprego no país subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro. Este resultado representa um aumento em relação ao índice de 5,4% registrado em janeiro, indicando um desaquecimento no mercado de trabalho brasileiro.
Impacto nos setores de saúde, educação e construção
Segundo o IBGE, o crescimento da desocupação foi puxado principalmente pela perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção. No trimestre, houve uma redução significativa de postos de trabalho em administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com menos 696 mil pessoas ocupadas, e na construção, com menos 245 mil pessoas.
Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, explicou que, em setores como educação e saúde, há uma influência de movimento sazonal, com muitos contratos temporários no setor público sendo encerrados na transição de ano, o que afeta os níveis de ocupação.
Dados detalhados sobre a população ocupada e desocupada
No trimestre encerrado em fevereiro, a população ocupada totalizou 102,1 milhões de pessoas, registrando uma queda de 0,8% (menos 874 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior, mas um aumento de 1,5% comparado ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem sucesso, um acréscimo de 600 mil em relação ao trimestre encerrado em janeiro.
Vale destacar que, mesmo com o aumento, a taxa de 5,8% é a menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica em 2012, superando as expectativas dos investidores, que projetavam uma taxa de 5,7%.
Aumento na subutilização da força de trabalho
A taxa composta de subutilização da força de trabalho, que inclui desocupados, subocupados por insuficiência de horas e força de trabalho potencial, cresceu de 13,5% no trimestre encerrado em novembro de 2025 para 14,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026. Isso representa cerca de 16,1 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil, um aumento de 675 mil em relação ao trimestre anterior.
Melhora no rendimento e queda na informalidade
Em contrapartida, o rendimento real habitual de todos os trabalhos atingiu um novo recorde, chegando a R$ 3.679, com aumento de 2,0% no trimestre e 5,2% no ano. Adriana Beringuy atribuiu esse crescimento à grande demanda por trabalhadores e à tendência de maior formalização em atividades de comércio e serviços.
Além disso, a taxa de informalidade apresentou uma leve queda, passando de 37,7% da população ocupada no trimestre encerrado em novembro para 37,5% no trimestre encerrado em fevereiro, o que equivale a 38,3 milhões de trabalhadores informais. Beringuy esclareceu que essa retração foi influenciada pela queda na construção e em segmentos menos formalizados da indústria e agricultura.



