Senado analisa indicação de Otto Lobo para presidência da CVM
Senado analisa indicação de Otto Lobo para a CVM

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal se reúne nesta quarta-feira (20) para analisar a indicação do advogado Otto Lobo ao cargo de presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, responsável pela regulação e fiscalização do mercado de valores mobiliários, especialmente fundos de investimento.

Mandato tampão até 2027

Caso aprovado, Lobo não cumprirá um mandato completo de cinco anos, como ocorre em novas nomeações. Ele ocupará a presidência até julho de 2027, completando o período restante do mandato de João Pedro Nascimento, que deixou o cargo em julho do ano passado. Trata-se, portanto, de um mandato tampão.

Parecer favorável do relator

Na última segunda-feira (18), o senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da indicação, publicou parecer favorável à nomeação feita pelo Palácio do Planalto. No documento, Braga destacou que o indicado possui idoneidade moral e reputação ilibada, além de perfil profissional e formação acadêmica compatíveis com o cargo. Antes de apresentar o relatório, Braga conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para confirmar a escolha.

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Divisão no governo e resistência no mercado

A indicação de Lobo gerou divisões dentro do governo. O Ministério da Fazenda, então sob comando de Fernando Haddad, era contrário à escolha. Essa posição é mantida pelo atual ministro Dario Durigan. No entanto, segundo fontes, Lula reforçou a Braga sua preferência por Lobo. O nome do advogado também foi mal recebido no mercado financeiro, devido a decisões controversas que tomou durante sua presidência interina da CVM, especialmente em casos envolvendo o Banco Master.

Decisões questionadas e ação do TCU

O Ministério Público chegou a solicitar ao Tribunal de Contas da União (TCU) a suspensão da sabatina de Lobo, mas o pedido foi arquivado. Uma das decisões questionadas foi o voto de qualidade de Lobo que dispensou a Ambipar — empresa de gestão de resíduos que realizou transações com o Master — de realizar uma oferta pública de ações (OPA). A posição contrariou a área técnica da CVM, que apontou uma ação orquestrada entre os empresários Nelson Tanure, Tércio Bolenghi e o Banco Master para inflar o preço das ações da Ambipar. Em outubro de 2025, dias antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, a Ambipar teve sua recuperação judicial aprovada.

Articulação política e próximos passos

A indicação de Lobo é atribuída a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Após Lula formalizar a escolha, Alcolumbre negou ser padrinho do indicado. Além de Lobo, a CAE também analisará a indicação de Igor Muniz para uma diretoria da CVM. A expectativa é que ambos os nomes sejam votados no plenário do Senado ainda nesta quarta-feira.

Situação atual da CVM

A diretoria da CVM é composta por cinco membros com mandatos de cinco anos. Atualmente, apenas duas cadeiras estão ocupadas, deixando três vagas abertas. Apesar do desfalque, somente as indicações de Lobo e Muniz foram encaminhadas pelo Executivo até o momento.

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