Setor de serviços freia em dezembro após 10 meses de crescimento contínuo
O setor de serviços do Brasil encerrou o ano de 2025 com um recuo significativo, interrompendo uma trajetória positiva que durava dez meses. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços caiu 0,4% em dezembro, na série com ajuste sazonal, comparado ao mês de novembro. Este resultado marca o fim de uma sequência impressionante que incluía nove altas consecutivas seguidas por um período de estabilidade.
Transportes lideram a retração com queda generalizada
A desaceleração observada em dezembro foi amplamente disseminada, afetando três das cinco atividades pesquisadas e 16 das 27 unidades da federação. O principal impacto negativo veio do segmento de transportes, que registrou uma queda expressiva de 3,1%. Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, destacou que o desempenho foi fortemente influenciado pelo resultado negativo em todos os modais de transporte.
As quedas foram registradas em: transporte terrestre (-1,7%), aquaviário (-1,4%), aéreo (-5,5%) e armazenagem e correio (-4,9%). Especificamente, o transporte de passageiros caiu 3,9%, enquanto o de cargas recuou 1,6%. Regionalmente, São Paulo (-0,3%) e Santa Catarina (-3,9%) lideraram as perdas, refletindo a amplitude geográfica da retração.
Contexto histórico e desempenho anual positivo
Apesar do recuo em dezembro, o setor de serviços continua operando em patamar elevado, mantendo-se apenas 0,4% abaixo do pico histórico registrado em novembro de 2025 e impressionantes 19,6% acima do nível pré-pandemia de fevereiro de 2020. Nos dez meses anteriores à queda de dezembro, os serviços haviam avançado 3,6%, demonstrando a força da recuperação pós-pandemia.
Na comparação anual, o setor mantém um ritmo firme de crescimento. Frente a dezembro de 2024, o volume de serviços cresceu 3,4%, marcando o 21º avanço consecutivo nessa base de comparação. Todas as cinco atividades pesquisadas e 18 das 27 unidades da federação registraram alta neste período.
Cinco anos consecutivos de expansão
No acumulado de todo o ano de 2025, o setor de serviços cresceu 2,8% em comparação com 2024, consolidando o quinto ano consecutivo de resultados positivos. Entre 2021 e 2025, os serviços acumulam uma expansão impressionante de 31%, recuperando-se completamente da retração de 7,8% registrada em 2020, auge dos efeitos da pandemia de COVID-19.
Nos últimos cinco anos, os destaques em magnitude de crescimento foram: tecnologia da informação (84,4%), serviços técnico-profissionais (59,8%) e transporte terrestre (43,5%). Em 2025 especificamente, as principais contribuições positivas vieram de atividades ligadas à economia digital e à logística, incluindo portais e provedores de conteúdo, transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de cargas, desenvolvimento de softwares, consultoria em TI, tratamento de dados, logística e intermediação de negócios por aplicativos e plataformas de e-commerce.
Desaceleração no quarto trimestre
O quarto trimestre de 2025 apresentou sinais de perda de fôlego no setor. O crescimento foi de 2,8% frente ao mesmo período de 2024, representando uma desaceleração em relação ao terceiro trimestre (3,1%). Esta redução no dinamismo ficou concentrada principalmente nos transportes (que passaram de 4,3% para 1,5%) e nos serviços profissionais e administrativos (de 2,8% para 2,6%).
Na direção oposta, o segmento de informação e comunicação acelerou seu crescimento (de 4,2% para 5,4%), enquanto serviços às famílias e outros serviços saíram do campo negativo no terceiro trimestre para resultados positivos no fim do ano. O índice de difusão mostrou equilíbrio no mês de dezembro, com 50% dos 166 tipos de serviços pesquisados registrando avanço.
Do lado negativo em 2025, pesaram especialmente correios, atividades jurídicas, serviços financeiros auxiliares, transporte marítimo de cabotagem, aluguel de máquinas e transporte rodoviário coletivo de passageiros. A média móvel trimestral ficou estável (0,0%) no trimestre encerrado em dezembro, interrompendo uma trajetória de alta que havia começado em fevereiro.