Brasil atinge marca histórica na abertura de pequenas empresas em 2025
O ano de 2025 registrou o maior número de aberturas de pequenas empresas na história do Brasil, um fenômeno que se reflete nas ruas e no cotidiano dos brasileiros. Esse recorde é impulsionado por uma onda de formalização, com milhões de trabalhadores saindo da informalidade para buscar segurança e benefícios.
Motoboy vira microempreendedor após 15 anos de trabalho
Nas ruas de São Paulo, Wellington Rodrigo é um exemplo dessa tendência. Após mais de 15 anos atuando como motoboy, ele decidiu se tornar um microempreendedor individual (MEI) para garantir direitos básicos. "Pelos benefícios. Aposentadoria também. Se eu morrer os meus filhos ficam com a pensão também", explica Wellington, destacando a importância da formalização para o futuro.
Setores que mais cresceram em novos registros
As atividades que lideraram esse crescimento incluem:
- Transporte de cargas e envio de malotes
- Serviços de ensino
- Serviços ligados à beleza, como salões
Em 2025, quase 5 milhões de pequenos empreendedores abriram as portas ou saíram da informalidade, representando um aumento de mais de 19% em comparação com 2024. Desse total, cerca de 1 milhão são microempresas, que podem ter até nove funcionários no comércio e serviços ou até dezenove na indústria.
MEIs são os grandes responsáveis pelo crescimento
Os microempreendedores individuais (MEIs) foram os principais impulsionadores desse recorde, com mais de 3,8 milhões de novos registros. Décio Lima, presidente nacional do Sebrae, comenta: "Isso tem a ver com a geração de empregos, nós estamos vivendo aquilo que se chama quase pleno emprego, mas não tínhamos a opção de oferecer empregos formais para esta quantidade expressiva e essa parcela de homens e mulheres que aprenderam alguma atividade econômica, elas estão desenvolvendo esse espírito empreendedor, se formalizando e criando a sua renda e o seu próprio negócio".
Mudanças nas relações de trabalho explicam o fenômeno
Economistas apontam que esses números refletem principalmente as transformações nas relações de trabalho dos últimos anos, com mais pessoas optando por trabalhar por conta própria. Carlos Honorato, professor da FIA Business School, explica: "Precisa da formalização para poder emitir uma nota, para poder atender a algum cliente maior, talvez queira comprar e exija um comprovante fiscal, e até para outros benefícios que ela pode conseguir, às vezes, via um plano de saúde, uma formalização individual".
História de Ana Luz: da informalidade ao petshop próprio
Ana Luz, trancista e tosadora, é outro caso emblemático. Ela atende a cachorrinha Bolinha desde filhote, mas há pouco mais de um mês começou a operar em seu primeiro espaço próprio: a garagem da casa de sua mãe, transformada em petshop e local para fazer tranças e dar cursos. Após trabalhar como funcionária registrada e passar anos na informalidade, ela se registrou como MEI. "Eu tenho 47 anos, eu tenho que pensar na minha aposentadoria, no meu futuro. Claro que hoje eu ainda tenho gás e disposição. Mas e amanhã? Amanhã eu quero estar segura, então o microempreendedor me trouxe só vantagens", afirma Ana, ressaltando a busca por segurança financeira.
Esse movimento massivo de formalização não apenas impulsiona a economia, mas também oferece uma rede de proteção social para milhões de brasileiros, marcando um capítulo significativo no cenário empreendedor do país.