O Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) com um pedido formal. A entidade quer que as autoridades de defesa da concorrência do Brasil notifiquem seus pares norte-americanos sobre o acordo que envolve a Azul, a United Airlines e a American Airlines.
Detalhes do pedido e preocupações com concorrência
O pedido foi feito no dia 16 de janeiro de 2026. A presidente do IPSConsumo, Juliana Pereira, argumenta que documentos do processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos, o Chapter 11, revelam um cenário que vai além de um simples investimento.
Segundo a análise do instituto, a United e a American não são meras investidoras. Elas passam a ter uma voz relevante nas decisões da nova Azul, atuando como acionistas de referência e participando de um comitê estratégico que discute os rumos da companhia aérea brasileira.
Risco de coordenação e efeitos nas rotas internacionais
Juliana Pereira alerta que essa estrutura pode facilitar uma coordenação estratégica entre empresas que deveriam ser concorrentes. A preocupação central recai sobre os potenciais efeitos negativos para a concorrência nas rotas aéreas entre Brasil e Estados Unidos.
"Como os principais compromissos foram firmados nos Estados Unidos e produzem efeitos transnacionais, é fundamental que as autoridades norte-americanas tenham ciência do que está sendo examinado e potencialmente validado no Brasil", afirmou a presidente do IPSConsumo.
Próximos passos e vigilância antitruste
A iniciativa do IPSConsumo busca garantir que as agências reguladoras dos dois países atuem de forma coordenada. O objetivo é avaliar completamente os impactos do acordo no mercado de aviação internacional. A notificação ao Departamento de Justiça ou à Federal Trade Commission (FTC) dos EUA permitiria um escrutínio mais amplo.
O caso coloca sob os holofotes a atuação do Cade em operações com desdobramentos internacionais. A decisão do conselho brasileiro sobre notificar ou não suas congêneres norte-americanas é agora aguardada pelo mercado e por entidades de defesa do consumidor.