Fusão histórica cria gigante do entretenimento com dívida bilionária
A Paramount e a Warner Bros Discovery anunciaram uma fusão que resultará em uma empresa combinada com uma dívida estimada em cerca de US$ 79 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 410,8 bilhões. O acordo, confirmado pela Paramount nesta segunda-feira (2), descarta planos de venda ou separação dos canais de TV por assinatura, consolidando os serviços de streaming, incluindo Paramount+ e HBO Max, em uma única plataforma.
Unificação de streaming e economia de custos
Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo da Paramount, David Ellison, destacou que as empresas juntas atendem mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor em mais de 100 regiões. Essa escala proporciona poder de fogo para competir em um mercado dominado pela Netflix. A aquisição, no valor de US$ 110 bilhões (R$ 572 bilhões), foi firmada na manhã de sexta-feira (27), após a Netflix recusar aumentar sua oferta.
Segundo Andy Gordon, chefe de estratégia da Paramount, a fusão deve gerar uma economia de mais de US$ 6 bilhões em custos, com grande parte proveniente de fontes não relacionadas à mão de obra, como a combinação de plataformas de tecnologia de streaming e provedores de nuvem. Essa meta supera a sinergia prometida pela Netflix, de até US$ 3 bilhões, mas gerou temores de demissões em massa e redução na produção de filmes e programas de TV.
Combinação de redes e propriedade intelectual
A fusão unirá redes da Paramount, como CBS, MTV, Comedy Central e BET, às da Warner, incluindo CNN, TNT e Food Network. Ellison afirmou que a combinação dos negócios lineares visa impulsionar o fluxo de caixa, aumentar a eficiência e gerenciar pressões de mercado. A empresa resultante terá um dos maiores acervos de propriedade intelectual do setor, reunindo franquias como:
- “Game of Thrones”
- “Missão Impossível”
- “Harry Potter”
- “Top Gun”
- Universo DC
- “Bob Esponja”
Ellison ressaltou que a HBO, descrita como uma joia da coroa, continuará com recursos e independência para manter sua excelência.
Financiamento e disputa pela aquisição
O acordo é garantido por US$ 54 bilhões em compromissos de dívida do Bank of America, Citigroup e Apollo, incluindo US$ 39 bilhões em novas dívidas e US$ 15 bilhões para refinanciar a linha de crédito-ponte existente da Warner Bros. A Warner Bros Discovery tinha dívida líquida de US$ 29 bilhões, enquanto a Paramount registrava US$ 10,36 bilhões no final do ano passado.
A disputa pelos estúdios e ativos de streaming da Warner Bros se intensificou ao longo de meses, com Paramount e Netflix trocando propostas rivais. A Netflix havia fechado um acordo em dezembro para comprar ativos por US$ 27,75 por ação, mas desistiu após o conselho da Warner considerar a proposta da Paramount superior, incluindo ativos como DC Comics, HBO e HBO Max.
Expectativas e aprovação regulatória
A fusão elimina dúvidas sobre o valor e risco da cisão das redes de TV a cabo, reduzindo incertezas em torno da oferta da Netflix. Espera-se que a empresa resultante produza pelo menos 30 filmes para cinema por ano, mantendo os estúdios Warner Bros e Paramount. Na sexta-feira, a Paramount pagou a multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a Warner devia à Netflix.
A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano, com expectativa de fácil aprovação antitruste da União Europeia e desinvestimentos mínimos. A Paramount, liderada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, tem laços com o governo Trump, o que, segundo analistas, pode facilitar um tratamento regulatório mais favorável.



