O fluxo de investimentos estrangeiros na B3, a bolsa de valores brasileira, tornou-se negativo em maio pela primeira vez em 2026, com uma retirada líquida de R$ 8,9 bilhões até o dia 18. O movimento inverte a tendência positiva observada desde o início do ano, quando o saldo acumulado ainda se mantém em R$ 48,2 bilhões, quase o dobro do total de 2025 (R$ 26,9 bilhões).
Queda após recordes
Após atingir um pico histórico de 199 mil pontos em 14 de abril, o Ibovespa recuou para cerca de 177 mil pontos em 20 de maio. A participação estrangeira, que supera 60% do volume negociado, explica em grande parte essa oscilação. Em janeiro, o fluxo líquido foi de R$ 26,4 bilhões (ou R$ 26,3 bilhões excluindo IPOs e follow-ons), o melhor resultado desde 2016, segundo a Elos Ayta. Desde então, os aportes mensais diminuíram progressivamente: R$ 15,4 bilhões em fevereiro, R$ 12 bilhões em março e R$ 3,2 bilhões em abril.
Razões para a reversão
Analistas apontam que a percepção de que os efeitos da guerra no Irã serão duradouros tem alterado as expectativas de política monetária global, reduzindo cortes de juros no Brasil e aumentando a possibilidade de novas altas nos Estados Unidos. Isso diminui o apetite por ativos de risco, como ações. Além disso, com a valorização do real e a alta recente do Ibovespa, a bolsa brasileira perdeu o atrativo de estar barata, aproximando-se do preço justo e limitando o potencial de valorização.
Detalhamento da movimentação
Nos primeiros 18 dias de maio, os estrangeiros aplicaram R$ 237,5 bilhões em ações brasileiras, mas venderam R$ 246,5 bilhões, resultando na saída líquida de R$ 8,9 bilhões. Esse é o primeiro saldo negativo mensal em 2026. Apesar disso, o fluxo acumulado no ano ainda é amplamente positivo, reforçando a força do início do ano.
Os eventos de ofertas de ações (IPOs e follow-ons) são excluídos da conta mensal por serem extraordinários, mas o levantamento histórico mostra que janeiro de 2026 foi o melhor mês desde 2016, mesmo com essa exclusão.



