Nova plataforma CBBC visa desburocratizar comércio entre Brasil e China
CBBC: plataforma desburocratiza negócios Brasil-China

Plataforma CBBC surge para facilitar negócios entre Brasil e China

O comércio bilateral entre Brasil e China, que atingiu impressionantes US$ 171 bilhões em 2025 e registrou exportações brasileiras de US$ 23,9 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, continua sua trajetória de expansão. No entanto, esse crescimento expressivo tem sido marcado por uma concentração em poucos produtos, como petróleo e outras commodities, e limitado principalmente a grandes empresas.

Barreiras operacionais e acesso restrito

Esse contraste entre volume recorde e acesso limitado para pequenas e médias empresas motivou o surgimento da plataforma CBBC (China-Brazil Business Connection). Criada pela empresária chinesa Yan Fan, presidente do Qingdao Muyi Holding Group, em parceria com o empresário gaúcho Eduardo Bozzetto, a iniciativa busca atuar como uma ponte comercial entre os dois países.

"Para uma rede de restaurantes, um distribuidor regional ou um pequeno varejista, importar diretamente da China simplesmente não era viável", explica Eduardo Bozzetto, destacando os principais gargalos: necessidade de comprar grandes volumes (frequentemente contêineres fechados), pagamento antecipado em dólar e longos prazos de espera para a chegada das mercadorias.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Modelo inovador de marketplace B2B

A CBBC opera como um marketplace business-to-business com uma proposta diferenciada:

  • Produtos já chegam ao Brasil nacionalizados e disponíveis em quantidades menores
  • Permite compras fracionadas adaptadas às necessidades de pequenos negócios
  • Pagamento realizado em reais, eliminando a necessidade de operações cambiais complexas
  • Entrega mais ágil comparada aos processos tradicionais de importação

"O pequeno comprador não precisa mais ter escala de importador para acessar produto chinês de qualidade", afirma Bozzetto, ressaltando que a plataforma busca reduzir custo, tempo e risco das operações comerciais.

Estrutura de receita e serviços adicionais

Segundo os desenvolvedores, a monetização da plataforma ocorre através da intermediação das transações entre compradores brasileiros e fornecedores chineses. No lado da importação, a receita vem de margens sobre produtos já nacionalizados e vendidos em menor escala. Para exportações, a plataforma conecta empresas brasileiras com compradores qualificados na China.

Além da conexão básica, a CBBC oferece serviços complementares que incluem:

  1. Estruturação de operações comerciais internacionais
  2. Inteligência comercial e análise de mercado
  3. Avaliação de crédito e verificação de idoneidade
  4. Suporte logístico integrado

"A expectativa no primeiro ano é intermediar dezenas a centenas de milhões de reais em transações", explica Pedro Toledo, empresário e sócio da plataforma, destacando o foco inicial em validar o modelo, construir liquidez e consolidar a base de clientes.

Desafios na exportação e diversificação

Do lado das exportações brasileiras para a China, os obstáculos incluem dificuldades em encontrar compradores confiáveis, burocracia sanitária e documental, além de desafios financeiros relacionados a câmbio e prazos de pagamento. Essas barreiras ajudam a explicar por que o comércio bilateral permanece concentrado em poucos produtos como soja, petróleo e minério de ferro.

"A dependência de poucos produtos é uma vulnerabilidade conhecida", observa Bozzetto, alertando para a sensibilidade do fluxo comercial a oscilações de preços e decisões de política comercial.

No entanto, os executivos identificam oportunidades significativas para diversificação, com demanda chinesa por alimentos processados, proteínas, café, açaí e frutas tropicais. "O problema não é falta de demanda, é falta de canal", afirma Bozzetto, destacando o potencial não explorado do comércio bilateral.

Integração entre conexão e execução

A aposta da CBBC reside em atuar como intermediária mais completa, integrando conexão, curadoria e execução em um único ecossistema. "Hoje, tradings executam, mas não escalam, e marketplaces escalam, mas não executam", resume Toledo, explicando a proposta de valor diferenciada da plataforma.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

O sucesso desse modelo, contudo, dependerá da capacidade de enfrentar desafios estruturais que vão além da simples intermediação. Barreiras regulatórias, questões logísticas, custos financeiros e a própria estrutura do comércio exterior brasileiro continuarão sendo fatores determinantes para ampliar o número de empresas participantes dessa relação comercial estratégica.